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Ano 23                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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Filosofia
UM DIAGNÓSTICO AFIADO
DA CRISE DA CIVILIZAÇÃO
Livro A Morte da Cultura, de José Ramos Coelho,
foi lançado em noite festiva no Sapiens
O novo livro do filósofo e multiartista José Ramos Coelho - A Morte da Cultura: um diagnóstico de duas patologias da civilização - foi lançado em 10 de novembro/2017, em um grande evento lítero-musical no Sapiens. Além da seção de autógrafos e do contato do autor com seus leitores e amigos, houve uma apresentação do violinista Bruno Barros e, no final, uma canja da cantora Lysia Condé.

Profundo e impactante, escrito em estilo claro e objetivo, A Morte da Cultura é uma tentativa de investigar e explicar os fundamentos da crise atual da civilização e do malestar que afeta, principalmente, os habitantes das cidades, apesar da abundância e da facilidade no acesso a bens de consumo e comodidades.

É uma obra que examina, com rigor e minúcia, a questão da felicidade a partir do fundamento principal da crise contemporânea: a defasagem entre um excesso de ciência e de eficácia técnica e um déficit de ética e de valores. Desse descompasso surgiram doenças culturais nefastas que precisam ser reconhecidas e tratadas, segundo Ramos Coelho. "A maior conquista da história, que fará com que a humanidade alcance no plano da ética o mesmo nível de avanço alcançado pela ciência e pela tecnologia, consistirá desse reconhecimento e da adoção de uma terapêutica adequada", diz o filósofo.

O livro, publicado pela editora 8, està à venda no Livreiro Sapiens e na Estante Virtual. A Morte da Cultura, segundo o autor, é a síntese de todo o seu percurso teórico e existencial. Antes disso, ele publicou os livros A Colina e o Abismo (1978), em parceria com José Paulo de Melo Cabral; A Magia na Aldeia Global (1975); De Narciso a Édipo: a criação do artista (2005); A Terapia da Excelência: uma introdução ao método da Estética Existencial (2007); e A Tragicomédia da Medicalização: a Psiquiatria e a Morte do Sujeito (2012), este último pela Sapiens Editora.

Por que morte da cultura

O título do livro de Ramos Coelho é forte e polêmico. Morte da cultura? Afinal, isso é possível? Enquanto houver homens, não haverá cultura? Na verdade, a expressão "morte da cultura" filia-se a uma tradição filosófica que remonta a Nietzsche: ao decretar a morte de Deus, o filósofo não estava cometendo um teocídio, mas constatando que o materialismo, o positivismo e o iluminismo estavam, em seu tempo, minando a fé nas religiões.

Do mesmo modo, “morte da cultura” aponta para o fato de que os referenciais simbólicos perderam a sua função homeostática tradicional de propiciar saúde, bem-estar e equilíbrio às pessoas. A proliferação crescente da ansiedade, desorientação e depressão não são senão os sintomas sociais de uma civilização que deu as costas para o humano ao ser subjugada pelas imposições do capital.

Ao identificar o “programa da racionalidade” como o causador da morte da cultura, o autor propõe um anarquismo dadivoso, ou seja, um novo modo de vida onde a dádiva substitua o desejo de acumulação, e o cultivo da sabedoria leve a uma vida mais autêntica e norteada por valores perenes.
O filósofo e a crise
Fragmentos do livro
A Morte da Cultura
120 páginas
Editora 8
Preço: 20 reais
O que é o eu? O que chamamos atualmente de “eu” é um feixe de memórias e desejos enlaçado por um nome. Ele é mais uma construção social do que individual.

O núcleo, a raiz de toda essa crise é o programa da racionalidade - um conjunto de instruções inter-relacionadas visando a um fim específico. Ele, na verdade, funciona como um vírus - altera o sistema ou o modo de funcionamento de uma cultura, a maneira como as pessoas concebem e interpretam as informações, destruindo ou fragilizando as tradições do grupo social e tendo o poder de propagar-se por contágio para outros grupos sociais.

O dinheiro não é nada mais senão a linguagem da economia, cuja contabilidade opera uma espécie de diálogo, onde o débito é uma pergunta e o crédito é uma resposta, equilibrando o orçamento. [...] E tal como o signo é a presença da ausência da coisa, o dinheiro é a presença da ausência de mercadorias, a possibilidade de um usufruto recalcado. O hábito de lidar com o dinheiro intoxica o pensamento, o sentimento e as ações humanas, tornando o usuário desta tecnologia em seu dependente e servo inconsciente.

No feudalismo medieval, o servo da gleba ora dedicava parte do tempo a trabalhar nas terras do seu senhor, ora em suas próprias terras visando o seu próprio sustento e de sua família. O servo pós-moderno dedica praticamente todo o seu tempo para servir ao sistema espúrio, dominado pelas leis do mercado, e praticamente tempo algum ao cultivo de sua alma.

A virtude típica do capitalismo é a soberba. A virtude da dádiva é a humildade. A soberba é a inflação do ego que deseja crescer e se expandir para sentir-se grande e poderoso (em relação àqueles aos quais se mede e compara). O humilde é como uma gota d’água que, ao praticar o serviço, se integra ao oceano do amor.

A soberba se alimenta de hierarquia. Um anarquismo dadivoso e coerente poderia ser o caminho para um mundo onde os valores genuínos suplantassem os seus sucedâneos espúrios (dinheiro, status, poder), onde a vida não fosse aviltada pelas convenções efêmeras dos homens.

Quando os discursos silenciam, a verdade essencial emerge.
José Ramos Coelho
Local do evento
Sapiens - Rua Sete de Setembro, 1828, Candelária, Natal
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