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Ano 23                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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Asa delta sobre o lago Wakatipu e as flores que encantaram JM na floresta: cenas de cinema
O paraíso Nova Zelândia

A cada curva uma paisagem de tirar o fôlego: rios, canions, lagos, florestas, campos, montanhas, vulcões... Assim é a longínqua terra do Senhor dos Anéis.
por Jomar Morais
A Nova Zelândia é o país mais bonito do mundo. Você pode duvidar, afinal nada é mais subjetivo do que a noção de beleza. Pode também questionar os termos de minha comparação, pois o mundo que eu conheço, até a publicação desta reportagem, possui apenas 27 países e 317 cidades em cinco continentes. Mas uma coisa ninguém pode negar: nas duas ilhas que compõem a Nova Zelândia estão algumas das paisagens mais espetaculares do planeta, várias delas celebrizadas como cenários de superproduções do cinema, entre as quais o filme O Senhor dos Anéis.
Este pequeno país de 4,2 milhões de habitantes é um paraíso distante, cujo acesso mais rápido para nós, via Pólo Sul, exige mais de 20 horas de vôo a partir de São Paulo e a adaptação ao fuso de 15 horas à frente do horário de Brasília. Uma rota cansativa que pede espírito aventureiro e capacidade de deleitar-se com a natureza. Quem sacrificar o comodismo para alcançar a recompensa final, no entanto, não terá motivos para arrependimento. Ou terá... se, como eu, cometer o pecado de ficar pouco tempo por lá. Minha ida à Nova Zelândia aconteceu quando eu visitava a Austrália, em janeiro de 2008, e durou apenas quatro dias - muito pouco para desfrutar de tantas opções de descanso e lazer em meio à exuberância de montanhas, rios, lagos e campos.
Aproveitei uma promoção da empresa aérea australiana Jet Star (e a facilidade de, como brasileiro, não precisar de visto para entrar no país) e voei direto para a ilha sul, destino da maioria dos visitantes, especialmente os que curtem esportes radicais. Para quem voa do Brasil, a porta de entrada é Auckland (420 mil habitantes), na ilha norte, cidade moderna junto a uma linda baía.  A capital do país, Wellington (180 mil habitantes), está fora do circuito turístico. Cheguei no verão e, portanto, privei-me do espetáculo dos picos cobertos de gelo e do frio intenso. Mas nem mesmo as escarpas nuas das montanhas ofuscam a beleza do conjunto multicolorido, feito de lagos azuis, canions de águas cor de esmeralda, cachoeiras e planícies, matas e flores, muitas flores. Ah! E, apesar do verão, não escapei das temperaturas de 12 graus celsius que se apresentam quando o sol inicia o seu longo crepúsculo nessa época do ano, só concluído por volta das 22 horas.
CHRISTCHURCH, UM PEDAÇO
DA INGLATERRA NA OCEANIA
O avião da Jet Star deixou-me em Christchurch, a segunda maior cidade da Nova Zelândia, com 360 mil habitantes, na costa leste da ilha sul. Dizem que Christchurch é a cidade “mais inglesa” fora da Inglaterra. Alguns detalhes, como a arquitetura das casas e o traçado das ruas, reforçam esse rótulo. A melhor herança dos fundadores britânicos, porém, são os parques e jardins que embelezam a área urbana. A propaganda oficial refere-se ao local como a “Cidade Jardim” e “Portão da Antártica”, devido à proximidade do continente gelado do pólo sul. O Jardim Botânico é uma de suas atrações turísticas. Outra é o Antarctic Centre, onde se pode apreciar até pinguins.
A vida corre tranquila em suas amplas avenidas. Durante o dia, o movimento das pessoas se concentra na praça da catedral de Christchurch (anglicana), área onde estão esculturas religiosas tradicionais e arte contemporânea, além da estação do bondinho turístico que circula pelo centro. No final da tarde, o agito se desloca para os cafés e restaurantes às margens do rio Avon e adjacências e avança madrugada a dentro em boates e discotecas escondidas em vielas transversais às ruas e avenidas. Tudo num raio de não mais de dois quilômetros a partir da catedral.
Não há metrô na cidade nem ônibus executivo para o aeroporto. O traslado pode ser feito de van ao preço médio equivalente a 12 reais. Mas não precisei disso na chegada. No avião da Jet Star, conheci o monge inglês Janananda, da Iskon, a sociedade Hare Krishna, e após conversarmos sobre hinduísmo, fui convidado gentilmente a seguir com a comitiva de praticantes que o aguardava no aeroporto. Assim, antes de seguir para o hotel, participei no templo dos Hare Krishna de um breve cerimonial de boas vindas a Janananda, um homem tranqüilo e sempre sorridente que divide seu  tempo entre Londres e missões religiosas pelo mundo. No final da tarde engrossei as fileiras de jovens que, atrás do monge, cantavam louvores a Krishna sob o olhar curioso de quem curtia a happy hour junto ao Avon.
QUEENSTOWN, LUGAR DE
CORES E AVENTURAS
A pequena Queenstown,a 360 quilômetros de Christchurch, tem pouco mais de 11 mil habitantes, mas recebe nada menos de 1,7 milhão de turistas a cada ano. Para entender esse fenômeno, basta olhar para a cadeia de montanhas que cercam a cidade - brancas de neve no inverno e escuras no verão - e para o enorme lago Wakatipu, de 290 quilômetros quadrados, em cujas águas o sol se põe às 22 horas nas noites de janeiro. Esse conjunto de belezas naturais é o ápice de uma paisagem de tirar o fôlego, que começa a ser apreciada por quem viaja de ônibus já a alguns quilômetros antes da entrada de Queenstwon, entre curvas da estrada que contorna o famoso Duplo Cone - montanhas gêmeas em forma de cone - e o cânion de águas cor de esmeralda. Um cenário esplendoroso que justifica as locações de O Senhor dos Anéis feitas na região.
Mas o lugar tem mais um motivo para essa enxurrada de visitantes: Queenstown é a capital mundial dos esportes de aventura. A cidade foi lançada no mapa turístico depois que Aj Hacket inventou a poucos quilômetros dali, em Arrowtown, o bungy jumping. Aí começou a corrida de aventureiros e mochileiros e a explosão de modalidades esportivas que colorem céus, águas e trilhas: asa delta, parapente, rafting, jet boating, canoagem... e, claro, esqui no inverno.
Atualmente, os administradores de Queenstown tentam mudar a imagem de pólo de mochileiros, paraíso da cerveja e das festas de finais de semana. Querem mais e mais turistas endinheirados. Já são muitos os hotéis e restaurantes sofisticados e também as mansões de executivos internacionais, mas continua fácil encontrar as pequenas pousadas e hostels tradicionais, como o Albergue da Juventude. No verão, é melhor ter a segurança da reserva. Eu não tinha e tive que vagar por quase 2 horas até encontrar um lugar para dormir. Apenas no segundo dia, consegui me hospedar no confortável Young Hostel à margem do lago, na baía de Queenstown.
A partir de Queenstown pode-se fazer trilhas, margeando o imenso lago ou caminhando por dentro da floresta de eucaliptos e carvalhos que avança sobre as montanhas. Pode-se também visitar vinícolas e conhecer os rastros da época em que a região era um grande garimpo. Mas o primeiro programa é mesmo convencional: não dá para não pegar o teleférico e ir apreciar a cidade do Skyline, complexo que inclui mirante e restaurante no topo da montanha. No meio do caminho está a plataforma de bungy jumping Aj  Hackett (desfrute-a, se tiver coragem). E, lá em cima, outra atração: a descida em carrinhos que deslizam em um tobogã de cimento que rasga a montanha sob a forma de túnel. É radical. 
O final de tarde traz uma multidão ao largo da marina. É a hora dos artistas de rua e seus números circenses. E também dos humoristas, que exercitam o esporte predileto dos kiwis (como são também chamados os neozelandeses, numa referência ao pássaro nativo de bico longo): fazer piadas com os australianos, seus eternos rivais. É também a hora em que os estádios do país explodem em cânticos e gritos de guerra nas partidas de rugby, paixão nacional, principalmente quando na arena se encontra o famoso time do All Blacks.
Apesar dos novos tempos, o aroma do estilo de vida maori está presente em toda a Nova Zelândia e, principalmente, na região de Queenstown. Ao contrário do que aconteceu na América e na Austrália, onde os europeus praticamente dizimaram os nativos e impuseram sua cultura, as tribos maoris deram muito trabalho ao branco e jamais se renderam. Esquartejaram e comeram muitos invasores europeus, após batalhas sangrentas. A paz com os ingleses, os últimos a aparecerem por lá, só aconteceu mediante acordo que preservou direitos dos nativos, inclusive o idioma, falado atualmente por mais de 530 mil pessoas. A cultura maori permanece viva e se expressa fortemente na arte neozelandeza.
 
ISTO É BELEZA KIWI
O legendário lago Wakatipu, santuário da cultura maori, visto do Skyline. Junto à baía de águas azuis, a pequena Queenstown assiste ao espetáculo do pôr-do-sol às 22h.
 
É verão, mas a noite na praça da Catedral de Christchurch é fria (10ºC) e obriga JM a usar agasalho. Às 21h, o local já está deserto, mas as tardes são sempre agitadas. A catedral, da igreja anglicana,  guarda relíquias como o candelabro ao lado.
Domingo de verão, no pier de Queenstown: kiwis e mochileiros curam a ressaca do sábado, curtindo o sol. É preciso aproveitar, pois a noite será fria. Só a cerveja é quente.
Cena matutina no lago Pukaki (acima), à margem da estrada que liga Christchurch a Queenstown, cruzando um parque nacional. À direita os últimos raios do sol de verão sobre o majestoso lago Wakatipu, vistos do píer de Queenstown. Hora local: 21h.
Na marina de Queenstown, as tardes são  animadas por artistas de rua com seus números circenses e muitas piadas sobre os australianos, rivais dos neozelandezes.
JM com o monge inglês Janananda, líder Hare Krishna em missão na Oceania, e seus amigos em Christchurch: papo no avião, visita ao templo da Iskon e carona até o hotel.
A trilha em torno do lago Wakatipu é uma das opções de relax no paraíso de Queenstown: ar puro, perfume silvestre e o visual onde a montanha e a cidadezinha se fundem.

Onde fiquei na terra kiwi
Em Christchurh
Em Queenstown
Comprei a passagem e reservei hotel em Christchurch 12 horas antes do embarque em Sidney. Fiquei no Cokers Backpackers (ao fundo, na foto), uma boa opção na 52 Manchester Street, na área central. Diária do AP duplo: 60 dólares.
Sem reserva, tive que dormir na primeira noite em um quarto minúsculo e desconfortável de um hostel. No dia seguinte consegui um AP no Queenstown Lakefront Young Hostel, da YHA, à margem do lago. Diária do AP single: 35 dólares
Os maori, vindos da Polinésia, chegaram à Nova Zelândia por volta do ano 850, à procura de pounamu (jade) e de comida (um pássaro moa gigante, hoje extinto). Os europeus aportaram nas ilhas mil anos mais tarde e, com eles, as ovelhas, que estão em toda parte da zona rural do país. Em 1862, um tosqueador descobriu ouro no rio Arrow, abrindo caminho para levas de forasteiros. Em poucas semanas já eram milhares. Depois vieram os chineses. Quando o ouro acabou, na década de 1950, Queenstown tornou-se uma cidade turística e,então, pouco a pouco,  o mundo pôde conhecer esse paraíso distante e inesquecível.

NO SUL DO OUTRO LADO
Imagens de Queenstown e Christchurch, preferidas de jovens e mochileiros
Leia também os relatos dos mochilões de Jomar Morais na Índia, Grécia, Colômbia, Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Estados Unidos,
Marrocos, Portugal, Espanha, Itália, Suiça, França, Venezuela, Uruguai, Argentina, Ilha da Madeira, México, Bolívia, Cuba, Nepal,
Turquia, Israel e Palestina, Albânia, África do Sul, Moçambique

06/2009
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