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Ano 23                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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Praia de Pocitos, uma das mais agradáveis de Montevidéu: no lado direito da Rambla, a avenida de 22 quilômetros que margeia o rio da Prata, edifícios que lembram a carioca Copacabana
Pacata, CHARMOSA e acolhedora
PASSEIO NA RAMBLA
por Jomar Morais
A natureza foi generosa com Montevidéu. Esculpiu sua orla em recortes magníficos onde cabem nove belas praias fluviais, que os uruguaios souberam valorizar ornamentando-as com a imponente Rambla, uma via costeira de 22 quilômetros de extensão, de faixas amplas e calçadão sinalizado. Ela é o meio de acesso fácil a qualquer bairro e também ponto de encontro e de comemorações. Em alguns trechos lembra Copacabana: edifícios a perder de vista e muitas áreas para práticas esportivas. Mas não é um mar a vastidão de águas que abraça a cidade. É apenas o estuário do rio da Prata, que próximo dali é ainda reforçado pelo encontro com o rio Uruguai. Lindo cenário.

A natureza foi dura com Montevidéu. Colocou-a entre Buenos Aires, uma metrópole de múltiplos atrativos, e Punta del Leste, um balneário que há décadas seduz os endinheirados. A capital do Uruguai ficou esquecida, principalmente pelos brasileiros, que assim desperdiçam a oportunidade de conhecer um pedaço da América hispânica profundamente ligado à nossa história.
Depois dos anos de glamour, que consolidaram seu desenho europeu e sua arquitetura suntuosa, com muita art dècor, a cidade parou no tempo, sua população envelheceu nas décadas de 70 e 80. Mas isso está mudando.

Minha primeira vez em Montevidéu foi em 1976, no auge do período depressivo. Encontrei uma cidade estagnada onde circulavam ônibus e automóveis da década de 30, eternamente restaurados em oficinas caseiras. Havia desemprego e tristeza no olhar das pessoas. Como os demais países do Cone Sul na época, o Uruguai vivia sob ditadura militar e toda expressão de opinião e sentimento era contida. Predominava a nostalgia de uma nação orgulhosa de ter sediado a primeira Copa do Mundo e vivido o fausto dos anos 50.

Só retornei agora e me surpreendi. Montevidéu renasceu. Ao lado da Ciudad Vieja, restaurada e pronta para ser desfrutada em toda a sua beleza arquitetônica, uma cidade nova, efervescente sem perder a classe das atitudes recatadas e do senso de organização, reflete novos conceitos sob uma atmosfera política e econômica positiva.

Montevidéu tem hoje um dos aeroportos mais bonitos do mundo, já dispõe de shoppings a altura de uma cidade de 1,5 milhão de habitantes, grandes hotéis estão chegando e a vida noturna se agita... Mas não é isso o que me encanta.
Prefiro o ritmo da Montevidéu sobrevivente na Ciudad Vieja e em alguns trechos da rambla, repleta de estilo e arte, ainda não invadida por hordas de turistas e ciosa de seus pequenos museus e galerias. Uma Montevidéu tranquila onde se pode perambular sem pressa, só às vezes provocado pelo jazz, tango uruguaio ou candombe (a batida afro local) emergente de algum bar ou casa de show.

A novidade que me atrai? O buquebus, o ferry boat moderno e confortável que liga Montevidéu a Buenos Aires em 3h30 de travessia do imenso Prata. Provei. Uma delícia. E foi assim que, na manhã de um domingo ensolarado, pude teclar este texto à sombra do fantástico bulevar da avenida 9 de Julio, entre o Obelisco e o Teatro Colón, no centro de Buenos Aires. Mas isso já é outra história...
[ Publicado na edição de 15/02/2011 do Novo Jornal ]
ONDE FIQUEI EM MONTEVIDÉU
ISTO É MONTEVIDÉU
Mandinga uruguaia: na Av. 18 de Julio,
amantes penduram cadeados na Fonte
dos Candados, para prender o parceiro
JM no Cerro de Montevidéu: um mirante
natural de onde se pode ver a cidade e o encontro do rio Uruguai com o Prata
Na fortaleza do Cerro (acima),
o Museu Militar
exibe registros
das lutas pela
independência
do Uruguai e de seus heróis,
como o general Jose Antonio Lavalleja (no
quadro ao lado)
Acima, na Plaza
Independencia,
a antiga porta
da cidadela, o
mausoléu de
Artigas e o
Palácio Salvo e
seu visual de
bolo de noiva.
Ao lado, uma
escultura lembra
o conflito com a
Argentina.
TÚNEL DO TEMPO
JM na primeira vez em que subiu o Cerro de Montevidéu, em julho de 1976
Rua do centro de Montevidéu em 1976:
tempo de ditadura e de estagnação

Punto Berro,
calle Pedro
Francisco Berro
1320, Playa Pocitos. Bem localizado, o hostel
fica numa área
gastronômica.
Diária: US$30
03/2012
Acácio, 24/07/13 - Estou gostando do que você mostra em Planeta Jota, especialmente sobre a JMJ (Jornal Mundial da Juventude). Os lugares visitados por você são encantadores. Breve irei a Montevidéu, de onde tenho expectativas positivas.

Jomar, 24/07/13 - Obrigado Acácio pelo retorno que nos ajuda a melhorar nossa prestação de serviço aos leitores.
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