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Ano 22                                                                                                          Editado por Jomar Morais
 
 


 
 


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vitrine pj
tv sapiens


O novo sabor da Big Apple
Em tempos de autocrítica nos Estados Unidos, Nova York resgata seus
melhores valores e se revela sem disfarce ao olhar de um mochileiro
Na tarde fria de outono, a voz estridente da negra
esguia é recebida com indiferença pelas pessoas
que se dirigem à vizinha estação do metrô e pelos
turistas aglomerados diante da imensa cratera que
restou do que fora um dia as torres gêmeas de Nova
York.
A mulher exaltada protesta com um discurso
religioso, repleto de frases sem sentido, ela própria
uma amostra do que a realidade pode produzir nas
pessoas. Lembra os que foram sacrificados na
manhã de 11 de setembro de 2001, quando aviões
sequestrados por terroristas se transformaram em
mísseis, espalhando destruição e dor no Ponto Zero
da maior cidade americana. Grita e pede respeito 
aos mortos e à sua sepultura escancarada. Mas no
local as obras para a construção da Freedom Tower
(Torre da Liberdade), que reeditará o espetáculo
visual e simbólico das antigas torres do World Trade
Center, seguem aceleradas e o cotidiano da
metrópole, novamente colorido e vibrante, insiste em
deixar no passado aquela terrível manhã de
setembro.
Nova York diz a Nova York: o show tem de
continuar. A vida não pára. Há luzes, cores e sons
como antes. As noites continuam febris. O comércio
acena com o paraíso do consumo. A cultura
transpira por todos os poros da cidade que ama a
liberdade e a diversidade... Mesmo assim, a Nova
York que reencontrei agora, cinco anos após minha
última visita - em 2001 ainda pude apreciar a
imponência das torres gêmeas, nove dias antes do
atentado -, já não é a mesma e certamente jamais
será, pelo menos para os meus olhos. 
Junto com os dois edifícios atacados, então um
símbolo da pujança americana e da ousadia nova-
iorquina, ruíram pedaços do espírito da cidade que
talvez não saibamos precisar em um texto, embora
perceptíveis a olhos e corações sensíveis. E retornar
a Nova York como um simples mochileiro, despojado
e com pouco dinheiro, certamente ampliou-me essa
sensibilidade, por colocar-me mais perto da cidade
real, aquela das pessoas que vivem o cotidiano,
conhecem os códigos locais de sobrevivência e
captam através da empatia a expressão das almas
individuais e coletiva. Não, essa não é mais uma
visão sombria de um turista frustrado em sua ânsia
de sensações. Nova York está melhor! Ficou mais
calorosa e humana, mais pacata e cordial, seja por
que o impacto do terror ou a ressaca da beligerância
americana, que sucedeu ao ataque terrorista,
revolveu valores adormecidos nos porões de
corações e mentes ou simplesmente por que, vista
agora por um brasileiro comum e descomplicado, a
cidade se revela além de seu concreto, aço e
dólares.
Nova York foi o ponto culminante de um roteiro
que começou, em 5 de outubro, no Canadá e que
incluiu visitas a Boston e a Washington, além de
paradas rápidas pelo interior dos Estados Unidos.
Cidade cosmopolita, capital dos negócios e da
cultura no ocidente, Nova York está longe de ser a
cara da nação americana. Fora da metrópole,
agitada e liberal, os Estados Unidos mostram uma
face um tanto modorrenta e conservadora, sob a
qual se esconde, a um só tempo, fé e generosidade,
nacionalismo exacerbado, uma boa dose de
preconceito e o apego a uma tradição de encrencas
e guerras. Mas também esse pedaço maior da
nação americana parece refeito do impacto de 2001
e seus cidadãos cansados das aventuras bélicas a
que foram levados em nome da honra e da
autodefesa. Nas casinhas de campo enfeitadas para
a festa do Halloween e no contato apressado com
pessoas comuns em pequenas cidades, como
Buffalo e Burlington, percebi o anseio de paz e um
certo resgate da ternura essencial do ser humano - o
que seria confirmado depois pelo resultado das
eleições para o congresso americano, em novembro. 
Aposentado do jornalismo brasileiro, que ajudei a
fazer durante algumas décadas, e agora exposto ao
seu noticiário tenso, voltei aos Estados Unidos
preparado para enfrentar o medo e as reações
neuróticas que lhe são peculiares, sob a forma de
desconfiança e agressividade. E acabei encontrando
a descontração e a cordialidade escondidas, pelo
menos nos caminhos que percorri ao lado de Fátima,
minha mulher. Talvez por que, dessa vez, eu tenha
entrado no país por terra, através da fronteira
tranquila com o Canadá, surpreendeu-me a
serenidade que vi no posto do Serviço de Imigração
do outro lado do rio Saint Lawrence, comparada à
rotina dos oficiais da Imigração no aeroporto
Kennedy, em Nova York, onde às vezes se
acumulam vítimas de grosserias de funcionários
estressados. Na calma da madrugada - sim, como
um bom notívago entrei em território americano às 2h
da madrugada, com o meu jeitão de árabe-
marroquino-indiano -, apenas um dos passageiros do
ônibus em que eu viajava teve que se explicar a um
agente. Tratava-se de um estudante da Tunísia, a
quem foi solicitado bem mais do que responder à
tradicional pergunta “por que veio?”, colocar os
dedos indicadores na maquininha leitora de digitais e
pagar uma taxa de seis dólares.
Surpreendeu-me também a tranquilidade em
Washington, varrida nessa época do ano por
ventanias geladas que espalham folhas secas junto
com fofocas políticas. Um paradoxo quando nos
lembramos que é dali que parte o discurso oficial que
anuncia guerras preventivas e a necessidade de uma
rotina neurótica na vida dos americanos. É fato que
as medidas de segurança foram reforçadas, que
mais câmeras ocultas e olhos disfarçados espreitam
visitantes, mas é bom que isso aconteça de forma
tão discreta que não nos incomoda e nem chegamos
a perceber. Em torno do Capitólio, o Congresso
americano, há tantos seguranças ostensivos quanto
na Câmara e no Senado do Brasil. Em frente à Casa
Branca há, talvez, menos guardas uniformizados do
que em torno do Palácio do Planalto, em Brasília.
Nas rodoviárias e estações de trem, os
procedimentos de segurança e detecção de armas
não excedem o limite do que já conhecemos aqui.
Uma rajada de cultura novaiorquina parece espraiar-
se, disfarçada, pelo interior e pela periferia dos
Estados Unidos. Uma onda que potencializa as
tendências de viradas em estados importantes,
como o rico Massachusetts, onde estão a cidade de
Boston e suas 36 universidades (seriam quase 70 na
região metropolitana). Nesse estado, depositário de
marcos da história americana e das tradições
irlandesas, pela primeira vez um negro - o democrata
Deval Patrick - foi eleito governador, em novembro
último. Se ele tivesse perdido a eleição, o resultado
também teria sido inédito, pois pela primeira vez uma
mulher, a republicana Kerry Healey iria governar o
estado. É bom que tudo isso aconteça em um dos
melhores momentos de Nova York, uma metrópole
de 8 milhões de habitantes que nunca dorme, como
lembra a canção imortalizada por Frank Sinatra e
Liza Minelli. Mas certamente coisas assim não
surgem do nada.
Nova York carrega esse simbolismo muito antes
de existir como cidade. Há 11 mil anos, Manhattan, a
ilha que é a cara da metrópole - por abrigar os
cartões postais da cidade em seus múltiplos
aspectos - já era habitada por indígenas que
reconheciam a magia do lugar. Manhattan deriva da
palavra nativa Manahactanienk, que significa “ponto
da embriaguez”,  uma coisa que até hoje Manhattan
faz muito bem com visitantes e com os que se
instalam em suas ruas bem traçadas. Quem não se
embriaga, afinal, com o cenário boêmio do
Greenwich Village, o bairro mais popular de Nova
York,  em cujos bares, restaurantes, teatros, livrarias
e galerias passaram nomes célebres da contra-
cultura dos anos 60 e 70? Sempre que fui à cidade
me instalei por lá, embora já tenha dividido o tempo
de permanência com o Harlem. O Village ainda
transpira a poesia rebelde de Bob Dylan e Jimi
Hendrix e seus prédios antigos combinam com o
colorido dos jovens e alternativos de todas as idades,
muitos deles alunos da Universidade de Nova York,
junto à Washington Square. Nas ruas próximas à
Christopher Street fervilha também a irreverência de
gays novaiorquinos.
A classe média consumista certamente preferirá
inebriar-se em lojas de departamentos como a
Bloomingdale´s ou a Macys e suas roupas e jóias de
grife. Ou serpenteará pelas lojinhas de eletrônicos,
brinquedos e souvenirs nos arredores da reluzente
Time Square, o coração de Manhattan. Ou ainda se
perderá no comércio barato da Canal Street e
arredores no bairro chinês, o Chinatown. Musicais
nos teatros da Broadway, a enorme rua que corta a
ilha no sentindo longitudinal, continuam lá,
deslumbrando e divertindo gente de todas as
classes. As centenas de museus e galerias de arte,
em toda a cidade,  podem deixar zonzo quem se
deleita com cultura. E é, sobretudo, o caldeirão
cultural novaiorquino, produto da mistura de raças e
nacionalidades na mais cosmopolita das cidades,
que está por trás da magia que exala não apenas em
Manhattan, como supõe o turista superficial, mas em
todo o entorno onde Nova York finca sua marca.
Para um latino, como eu, Nova York acena com
um algo mais que se acentua a cada ano: a
sensação de que, estando em outro mundo, não se
está tão longe de casa quanto se imagina. A cidade
está muito mais latina do que em 1986, quando
estive lá pela primeira vez. Há décadas que a
presença massiva de caribenhos, sul-americanos e,
claro, brasileiros, vem miscigenando a cultura
americana num eixo que alcança, nas extremidades,
as cidades de Miami e Boston. Isso explica a
existência já há algum tempo na cidade - e agora em
outras partes dos Estados Unidos - de canais de
rádio e TV que transmitem em espanhol, milhares de
anúncios, serviços de atendimento ao consumidor e
telefones automáticos que se expressam no idioma
imigrante.  Mas a impressão recente é de que falta
pouco para, pelo menos Nova York tornar-se um
enclave bilíngüe no centro do império americano.
Na situação atual, arriscaria dizer que se alguém,
necessitado de ajuda, gritar em espanhol - ou
mesmo em português - em qualquer área de
Manhattan será de pronto atendido por alguém que
entenderá o seu pedido. Afinal, não é mais o inglês a
língua materna de tantos entregadores, motoristas de
táxi, vendedores, técnicos diversos e donos de
groceries, as pequenas mercearias presentes em
quase todo quarteirão. Um rápido passeio por
algumas ruas do Harlem, o bairro negro e pobre na
área norte de Manhattan, fortaleceu em mim essa
impressão. Áreas enormes, onde há pouco menos
de 20 anos só se viam jovens rappers e aposentados
afro-americanos, jogando conversa fora e palitando
os dentes sob escadas de incêndio externas, estão
hoje tomadas por mexicanos e caribenhos (muitos
salvadorenhos). E seus restaurantes, suas lojas de
cds, e suas banquinhas de camelô espalhando  o
ritmo latino no ar, seus estudantes adolescentes de
pele mestiça brincando e lançando provocações
em... espanhol.
Vi algo parecido, há cinco anos, no distrito do
Queens, fora de Manhattan, onde há tantos
brasileiros. E não me surpreenderei se, dentro de
alguns anos, uma espécie de Braziltown (à maneira
do bairro Chinatown) se estabelecer nas
proximidades da rodoviária de New Jersey, a vizinha
de Nova York onde brasileiros e portugueses
conquistam espaços e abrem seus negócios. A
latinidade que emerge nos Estados Unidos, que mete
medo em conservadores, nacionalistas e
trabalhadores americanos puro-sangue, manifesta-
se agora na força política que mais de 8 milhões de
trabalhadores migrantes acabam de expressar nas
ruas de Nova York, com os seus protestos contra o
endurecimento das leis de imigração proposto pelo
governo Bush. Assisti a um desses comícios, na
Union Square, em Manhattan, em que desfilaram
oradores de todos os matizes, estrangeiros
combatendo a discriminação e a exploração de sua
força de trabalho e clamando por direitos amplos -
uma manifestação que realça o lado mais luminoso
da América e de Nova York: a liberdade de
expressão.
Por tudo isso, que  para mim é mais significativo do
que os roteiros comerciais de agências turísticas,
Nova York vale a viagem. Os Estados Unidos, nesse
momento de autocrítica e revisão, merecem ser
conhecidos, curtidos. No quadro ao lado, ofereço
algumas anotações e dicas para quem deseja
aventurar-se como mochileiro pelo país do Tio Sam.
Elas não são propriamente um serviço turístico. Isto
você pode obter em um bom guia turístico, entre eles
o singelo USA & Canada on a shoestring, edição
especial do respeitado Lonely Planet voltada aos
mochileiros mais despojados e duros, como eu.
Minhas notas apresentam algumas impressões de
viagem e dicas baratas (e até gratuitas!) para quem
curte o prazer de viajar por viajar e conhecer
pessoas e culturas diferentes das suas, com
liberdade e alguma criatividade, sem submeter-se a
roteiros comerciais e dispendiosos nem sempre
gratificantes.
Então, o que estamos esperando? Come along!

ANOTE AÍ

* É barato se locomover em Nova York. Desde que
você use a cabeça. Um bilhete único de metrô
(subway) custa 2,50 dólares (5,30 reais em
outubro/06). Mas um passe de sete dias custa
apenas 24 dólares e dá direito a trafegar quantos
vezes vocs quiser, nesse perído, no metrô e em
todos os ônibus urbanos. O metrô cobre
praticamente toda a cidade, mas vale a pena usar o
ônibus (sempre lento) para conhecer a paisagem e
ter acesso a alguns pontos importantes, como a
sede das Nações Unidas. Você não precisa de taxi
nem mesmo para sair do aeroporto John Kennedy.
Um ônibus gratuito leva os passageiros do aeroporto
à estação mais próxima do metrô. Não esqueça de
pegar no guichê do subway o mapa gratuito das
linhas e estações de metrô e trens. É o suficiente
para orientar-se na cidade.
* Na Time Square, procure o Visitor Center (ao lado
da McDonald´s). Lá tem poltronas para você
repousar, banheiros e Internet gratuita. Lá também
você pode adquirir ingressos para todos os grandes
espetáculos nos teatros da Broadway e vizinhança e
tíquetes para diferentes tours e outras atrações da
cidade. No mesmo local pegue gratuitamente o seu
exemplar da revista Time Out New York, com a
programação de lazer da semana em vários bairros.
Se preferir, pode pagar 2,99 dólares pelo exemplar
na banca de revista mais próxima (rs rs)
Armas e liberdade
No fim de tarde, no Battery Park, pode-se ver a Estátua da Liberdade por entre os contornos da bota da estátua do veterano da guerra da Coréia. À direita há outras esculturas e a estação dos ferryboats que levam a Ellis Island, onde está Miss Liberty, por 10 dólares. É melhor seguir para a esquerda, onde se encontram o
monumento aos veteranos da guerra
enormes e confortáveis que passam ao lado da Estátua da Liberdade -  e ninguém paga nada por isso. De 2001 a 2009,devido aos procedimentos de segurança pós-atentado, ficou proibido o acesso à coroa de Miss Liberty, a motivação para ir à ilha.

Jazz+hamburguersirenes em toda
Nova York consagrou o rock, inventou o rapp e tem barulho de buzina e sirene em toda parte (hoje bem menos do que há 20 anos, quando havia mais criminalidade em Manhattan). Mas tem também o seu lado light e elegante que se pode apreciar até em lanchonetes, como essa Mc Donald´s aí, na Broadway, 160. À tardinha, combina-se hamburgueres com jazz e baladas numa  happy
Na casa de Kong
Com a queda das torres do World Trade Center, o Empire State voltou a ser o edifício mais alto de Nova York, com os seus 102 andares. Resultado: o acesso ao mirante virou um pandemônio, com filas para entrar em filas. A cada noite a torre iluminada exibe uma cor diferente. Um espetáculo. Mas é duro brincar de King Kong, o gorila que no cinema escalou o edifício. Para ver as luzes da cidade em meio a ventos gélidos, ficamos

A loura do parque
Aproveite para ver todo o Central Park do alto do Empire State. Não há como percorrer em um dia os seus 340 hectares de área verde.
Quem não curte caminhar, pode pegar uma carruagem na entrada da rua 59 (Columbus Circle) para um breve passeio sem a delícia de pisar na grama, espreguiçar-se sob árvores, conhecer os lagos e o Strawberry Fields, dedicado a John Lennon, que morava pertinho dali, ou aventurar-se em patinação no gelo. No verão há apresentações
Arte e ousadia
A arte transpira por todos os poros de Nova York. Há centenas de museus e galerias de arte (estas, principalmente na área do SoHo), dos quais os mais conhecidos são o MoMA - Museu de Arte Moderna e o Metropolitan Museum of Art. Mas há outros bons museus, muitos gratuitos, como o Museu Nacional do Índio Americano, na Bowling Green, próximo à Bolsa de Valores. Nos túneis das maiores estações do metrô - Time Square,

apreciar obras ousadas, como essa escultura do artista Oterness.

A grande esquina
A Times Square e sua vizinhança é uma festa. Mesmo sem música, a multidão está lá, eufórica, barulhenta, atraída pelas
luzes e cores dos anúncios, pelo comércio, hotéis, cafés, teatros, pela MTV e pelas figuras exóticas circulando de patins entre carros, fazendo protestos e, às vezes, engabelando algum turista. Na área está o Visitor Center onde se pode adquirir ingressos e também acessar internet gratuita. Aqui já teve mais prostituição
Velho Village
Já me hospedei no coração do Greenwich Village, ao lado da Washington Square, em tempos de muita agitação e drogas por lá. Anos depois, conheci certa tranquilidade no East Village. Dessa vez, com menos dólares, pousei no limite entre o Village e o Litte Italy e a oito quadras de Chinatown. Aí estou em frente ao Bowery´s White House Hotel, minha pousada. Não a recomendaria a meus pais nem a um viajante de fino trato. Mas jovens   mochileiros certamente se sentirão confortáveis em seus quartos minúsculos e na privacidade quase zero proporcionada por paredes de madeira prensada e telhadinho
de ripas num casarão do tempo em que a área era uma vila rural.
Se for, não se assuste ao ouvir alguém ao celular às 3h da madrugada, e se outro, incomodado, berrar do AP: "Are you crazy, guy? I want to sleep!". Ainda assim, você estará no Village - boêmio, intelectual, cercado de pequenos teatros, bares, discotecas, gente nas ruas. E o Village, o bairro mais popular de Nova York nunca pára de surpreender.

A colina do poder
Ir a Washington e não visitar o Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos situada na colina que tem esse nome, é o mesmo que ir a Roma e não conhecer o Vaticano. Mas desde o 11 de setembro não é
fácil ver de perto a rotina de senadores e deputados. Agora só há tours guiados e é preciso madrugar numa fila para conseguir um ticket gratuito. Contentei-me em ver o prédio por fora e clicar sua bela arquitetura, descendo depois para um momento de relax no Jardim Botânico Nacional, o primeiro de uma série de 
1600 Penn Ave.
Este é o endereço dos presidentes americanos desde 1800. É escritório onde o chefe de estado e governo exerce suas funções e também residencia presidencial. Antes do 11 de setembro, era possível visitá-la nos fins de semana. Agora, nem pensar. Ainda bem que não proibiram as fotos 
Arte na capital
Às margens ou na vizinhança do National Mall há vários museus, entre os quais o National Air & Sapce Museum, um dos mais populares do mundo, onde estão réplicas e originais de engenhcoas que voaram nos últimos dois séculos. Uma das atrações é o módulo de comando da Apollo 11, a primeira missão tripulada à Lua. Outras referências são o
Relaxe e aprecie
Washington tem seus encantos e merece ser descoberta, mas se você tem apenas um dia para conhecer o que é mais simbólico na cidade, saiba que as principais atrações (monumentos e museus) podem ser alcançadas a pé, seguindo-se os eixos do National Mall e o da avenida Pennsylvania. No final da tarde, cansado da maratona, dá para  
relaxar e curtir a paisagem verde do Mall - do Capitólio ao Potomac -, como eu e a Fátima, aí acima, fizemos em uma sexta-feira.
BOSTON  | terra em transe
Espelho da cidade
O centro de Boston concilia prédios históricos, como a Igreja da Trindade, à direita
na foto, e vielas do século XIX, repletas de casas e sobrados geminados, com a ousadia da arquitetura contemporânea. O edifício John Hancock, o mais alto da cidade, com 60 andares, se destaca por refletir nas paredes envidraçadas a sua vizinhança. A Igreja da Trindade foi ofuscada pelas  torres gêmeas do
Capitólio dourado
O parlamento de Massachusetts foi também erguido sobre uma colina, na região central de Boston, e sua arquitetura lembra a do Capitólio de Washington. As grandes diferenças são as paredes cor-de-rosa e sua cúpula dourada. O prédio foi construído em 1798 e está pertinho do Memorial Robert Gould Shaw, dedicado ao líder do primeiro batalhão de negros a lutar pela União na guerra civil americana. Hendrick

Fino trato
Aí estão, ao lado da Fátima (à direita) os queridos amigos Mackenzie Melo, seu irmão Hendrick e a esposa Daniele (de olho no pequeno Pietro, no carrinho), todos residentes em
Massachusetts. Ao fundo, o Turner Fisheries, um sofisticado restaurante de Boston onde nos deliciamos com uma clam chowder, a sopa de marisco mais
Passeio histórico
Andar pela área do Beacon Hill, no centro de Boston, é um passeio pela História. A arquitetura dos séculos XVIII e XIX está preservada em muitas ruas e, além do Parlamento e do Memorial Robert Shaw, o bairro abriga o Museu Afro-Americano, o Museu da Ciência e a Biblioteca Pública (com
internet gratuita), além do agradável Boston Common, o mais antigo parque público dos Estados Unidos, inaugurado em 1634, palco de superconcertos no verão.
TÚNEL DO TEMPO
Outubro/2006
No lugar onde existiam as torres gêmeas do World Trade Center, um Memorial com fotos dramáticas do atentado e os nomes das vítimas lembra a tragédia de setembo de 2001.
Outubro/1986
Na cobertura da torre norte do World Trade Center, a segunda a ser derrubada no ataque de 2001, JM observa Nova York. A mais de  500 metros de altura, uma visão que suscita reflexões sobre a pequenez e a grandiosidade da espécie humana.
Agosto/2001
JM em circunavegação da ilha de Manhattan numa tarde quente e nublada. Ao fundo vê-se as silheutas da torres gêmeas no Ponto Zero. Dias depois, elas seriam derrubadas por terroristas da Al-Qaeda, no maior atentado da história.
Setembro/?
Uma torre de vidro de 82 andares e uma colossal antena esculpida no topo. Assim será a Freedom Tower, o edifício que está sendo construído no local das antigas torres gêmeas. O prédio, de 541 metros de altura,será uma estrutura monolítica de vidro que vai refletir o céu, uma perene exaltação à liberdade. O projeto original foi refeito depois por sugestão de especialistas em segurança.
 
* A grana está curta e não dá para comer todo dia
em restaurantes com preço salgado e gorjeta de
15%? Não, a saída não é só hamburguer. Há redes
self-services populares em muitas áreas da cidade.
Na rede Deli Plus (tem na estação Port Authority, na
rua 46, esquina com a Time Square e outras) um
almoço com comida simples, mas variada (incluindo
salmão!) custa pouco mais que um Big Mac: 8
dólares.
* É possível instalar-se em hotéis simples, seguros e
decentes em boas áreas de Manhattan pagando 100
dólares a diária no AP duplo. Este é o preço médio
no Hotel Larchmont, onde pousei em 2001, numa
área tranquila do East Village. Se a opção é hostel,
os dorm bed (quartos coletivos) variam de 25 a 37
dólares e os duplos variam de 65 a 90 dólares.
*Quer esticar até Washington (4h30 de viagem) ou a
Boston (3h de viagem)? Procure um ônibus da rede
Chinatown Buses (uma associação de empresas),
na esquina da Canal Street com a Bowery, no bairro
Chinatown. O preço fica em torno de 50% do que é
cobrado pela famosa Greyhound. Em outubro, a
viagem para Boston pela Chinatown custava 15
dólares; para Washington, 17,50 dólares.
O anúncio irreverente na Times Square,  o touro voraz de Wall Street e a águia no monumento
aos mortos da guerra do Vietnam: alguns símbolos assustam, mas Nova York é alegre e cordial
por Jomar Morais

NEW YORK  | outro olhar
do Vietnã e a estação pública dos ferrys para Staten Island. Barcos
hour com direito a cantora afinada e piano no mezanino. Em tempo: esse trecho da Broadway corta o distrito financeiro de Nova York.
por quase três horas esperando a chance de entrar no elevador. Vi idosos desistirem. E ainda se  paga 16 dólares por pessoa.
assaltos, reduzidos pela política de tolerância zero na segurança. Turistas adoram posar ao lado dos bonecos de cera do Museu Madame Tussauds, na rua 42. A Fátima não resistiu. Olha ela aí, ao lado do ator Samuel Jackson.
Port Authority, Grand Central, Penn Station e outras -, pode-se apreciar obras ousadas, como essa escultura do artista Oterness.
artísticas gratuitas em diferentes áreas do parque. A pé também pode-se trombar com personagens fantasmagóricos, como essa loura aí de cabeleira descomunal e seu auxiliar com capa de vampiro.

WASHINGTON |  passeios
monumentos e museus do National Mall, a super-avenida que vai do Capitólio ao rio Potomac, onde está o obelisco George Washington. O passeio pelos jardins do Mall e as paradas em museus gratuitos valem a pena. Chegando ao obelisco, avista-se a Casa Branca, a uns 500 metros à direita.
que a turistada faz junto à cerca do jardim bem cuidado.
Museu Nacional de História Americana e o Hirshhorn Museum, com uma bela coleção de arte moderna e contemporânea e esculturas em seus jardins, como esta à esquerda.
Hancock e isso é até hoje motivo de críticas estéticas, mas os turistas ganharam um motivo para abrir a boca diante do gigantesco espelho vertical.
Melo (à direita), brasileiro radicado em
Boston desde a década passada, explica a importância histórica do lugar.
famosa do mundo, especialidade da cozinha da região da Nova Inglaterra. Eu não  apareço na foto por um bom motivo: Mackenzie e Hendrick pagaram a conta salgada e eu tinha de clicá-los assim, sorridentes, para agradá-los de algum modo... (rs rs)
JM na galeria do metrô de NYC: um toque hip hop
Fátima no Empire State: momento madame

Leia também os relatos dos mochilões de Jomar Morais na Índia, Grécia, Colômbia, Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Estados Unidos,
Marrocos, Portugal, Espanha, Itália, Suiça, França, Venezuela, Uruguai, Argentina, Ilha da Madeira, México, Bolívia, Cuba, Nepal,
Turquia, Israel e Palestina

O SOL VOLTA A BRILHAR
Luzes, cores e vibração de NYC
À MARGEM DO PODER
Arte e natureza em Washington
ENTRE AMIGOS
Boston, MA: aqui se fala português
12/2006
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