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15º DIA DE SILÊNCIO
NO SAPIENS | 25/11
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O MAL E O REMÉDIO
Por José Ramos Coelho (*)
Como reconhecer e livrar-se do pecado da soberba, uma fonte de sofrimento
Soberba.

Do latim superbiam: “altura do que está superior a alguma outra coisa”.

O pecado da soberba não consiste em possuir qualidades notáveis ou admiráveis, mas sim em
propagar e jogar na cara dos outros a ideia de que se é melhor do que eles. Seu equívoco não
consiste em ser excelente em alguma coisa, mas sim em desprezar os demais e sentir-se
superior.

A virtude da soberba está em querer aperfeiçoar-se e ultrapassar-se. O seu pecado é
menosprezar e humilhar os demais.

A soberba é, no fundo, um mecanismo de defesa frente à dificuldade de estabelecer vínculos
espontâneos, sinceros e profundos.

O maior temor do soberbo é cair no ridículo. Seu maior inimigo é o riso: pois ele é carente de
alegria.

Exemplos de soberba:

Sou mais rico do que você.
Sou mais inteligente.
Sou mais belo, mais elegante.
Sou mais bem sucedido.
Venho de uma família melhor.
Sou mais competente do que você.
Sou mais generoso.
Sou mais espiritualizado.
Sou mais virtuoso.

Aquele que é excelente, não fala. Quem fala que é excelente, não é.


O remédio para a soberba é a humildade

Humildade.

Do latim “humilitas”, de “humilis” = pequeno. Virtude de reconhecer as próprias limitações. O
humilde não se deixa lisonjear pelos elogios ou pela situação de destaque em que se encontra.

Enquanto o soberbo procura colocar-se numa posição de superioridade e distanciamento dos
demais, o humilde prefere manter os pés no chão, ficar próximo à terra (húmus).

Todo sábio é humilde, porque sabe que só sabe pouco do muito que deveria saber. “Ser humilde
é amar a verdade mais que a si mesmo”
(André Comte-Sponville).

Mas é preciso diferenciar a autêntica humildade (do Eu superior) da falsa humildade (do ego) ou
servilismo. A humildade autêntica, ao contrário da soberba, respeita o outro e o vê como uma
oportunidade valiosa de aprender lições para o seu crescimento pessoal e espiritual.

Enquanto o soberbo despreza os outros e se fecha no seu egocentrismo, o humilde está aberto
e disponível às trocas com o outro.

A falsa humildade não é uma virtude, mas uma fraqueza, pois normalmente é motivada ou pelo
medo, ou pela baixa auto-estima, por um espírito subserviente ou adulador.

A humildade do virtuoso é estar consciente do poder do serviço,
e não usar o serviço para a obtenção de poder.

Eis alguns exemplos de humildade:
Fazer uma doação anônima a instituições de caridade.
Engajar-se num trabalho voluntário.
Amar incondicionalmente, ou seja, sem exigir nada em troca.
“Queridos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus;
quem não ama não aprendeu a conhecer a Deus, pois Deus é amor.”
(S. João Batista)
Saber que sabe pouco do muito que resta ainda para aprender. “Só sei que nada sei”. (Sócrates)
Reconhecer numa discussão estar sustentando um argumento falho, ao se dar conta do próprio
erro.
Ao perder um jogo numa disputa, reconhecer os méritos que levaram o adversário à vitória.
Dar a vida por uma causa maior do que a própria vida.

A humildade é filha da compaixão e da verdade, e mãe da generosidade, da diligência e da
magnanimidade.

E todo homem verdadeiramente grande sabe quer sua grandeza só foi possível devido aos
sacrifícios dos inúmeros heróis anônimos que o precederam.

O paradoxo da humildade é que, quanto mais o sujeito de torna humilde, mais tem consciência
da grandeza e correção do seu modo de ser, sem que isso o leve a vangloriar-se. A motivação
do comportamento humilde é a grandeza da alma.

Humildade não é fingimento, mas consciência clara do valor relativo e passageiro das coisas.

Frases inspiradas no espírito da humildade:

“Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar.” (Paulinho da Viola).

“Senhor, fazei-me um instrumento da vossa paz...” (São Francisco de Assis).
“Nenhuma coisa boa que façamos procede de nós”. (Santa Tereza d’Ávila).

“Somente quando você descobre que nada é, quando descobre o vazio em você, é que Deus
pode preenchê-lo com Sua presença” (Madre Teresa de Calcutá).

“... não mais eu, mas Cristo vive em mim...” (Paulo de Tarso)

“O centro da alma é Deus.” (São João da Cruz)
(*) José Ramos Coelho é filósofo, doutor em Psicologia , escritor e multiartista. É autor de vários livros, entre os quais A Terapia da Excelência (Edufrn) e A Tragicomédia da Medicalização (Sapiens Editora)

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