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TV SAPIENS
Atualização semanal
Aldenir Dantas
Jorge Braúna
 
15º DIA DE SILÊNCIO
NO SAPIENS | 25/11
Increva-se aqui
O carisma da
CIDADE DO MÉXICO
Bons serviços, vida barata, arte e muita história da América pré-hispânica
por Jomar Morais
É preciso chegar até aqui, na Cidade do
México, para entender como uma metrópole
com fama de ser uma das mais poluídas e
inseguras do mundo consegue atrair
anualmente 12 milhões de visitantes, entre
nacionais e estrangeiros, mais que o dobro
dos turistas estrangeiros que visitam o Brasil
em igual período. A soma de uma forte
identidade histórica com uma modernidade
esfuziante, mais uma excelente infraestrutura
de serviços e preços acessíveis estão na base
desse sucesso.

A Cidade do México é Tenochtitlán, fundada
em 1325 e coração do império dos mexicas, a
confederação asteca. Seu centro
administrativo e comercial ainda é o mesmo
da época de Montezuma II, o imperador
defenestrado pelo conquistador espanhol
Hernan Cortés, em 1520. Seu entorno é rico
de fragmentos históricos e arqueológicos,
como as impressionantes pirâmides de
Teotihuacan, a cidade misteriosa erguida no
ano 100 a.C. e abandonada por seus
habitantes desconhecidos por volta do ano
750.

Ao mesmo tempo, a capital do México é um
exemplo de moderna arquitetura urbanística
funcional, com avenidas largas e bem
traçadas, edifícios de linhas futuristas, uma
centena de museus e a quarta concentração
de teatros do mundo. A cidade é jardim e
galeria de arte a céu aberto, graças aos seus
muitos parques e esculturas que contam a
história tumultuada da nação mexicana, repleta
de perdas - primeiro para os espanhóis, depois
para os Estados Unidos, a quem cedeu parte
de seu território.

Sim, o México é complexo, contraditório e
excitante e sua capital impressiona
positivamente o visitante brasileiro. Há, porém,
reciprocidade: o Brasil é um país sempre
lembrado no México.

A simpatia mexicana pelos brasileiros não é de
hoje. Quem esqueceu do caso de amor vivido
por nossa Selecão e a torcida mexicana na
Copa de 1970? Isso foi muito importante para
a conquista do Tri, algo que soubemos
reconhecer e retribuir com um "jogo da
gratidão" em Guadalajara.

Nosso namoro agora é menos sentimental, em
que pesem as nossas afinidades, digamos,
passionais em experiências como a exclusão
social, a violência urbana e o alto índice de
tolerância à corrupcão.

O Brasil tornou-se uma forte referência de
desenvolvimento para o México, o que explica
a menção quase diária à cultura e, sobretudo,
à economia brasileira na mídia mexicana.
Embora não esteja, como nós, entre as sete
maiores economias do planeta, o México
segue na nossa cola, em seu posto de
segunda economia latino-americana, e nos vê,
ao mesmo tempo, como inspiracão e desafio.

Num debate no canal Foro TV, da Televisa,
que assisti antes que se iniciasse - imagine! -
o programa "Superación", da brasileiríssima
Igreja Universal do Reino de Deus, o Brasil foi
o argumento central de jornalistas e
intelectuais assustados com o baixo índice de
leitura dos mexicanos. Foram realçados a
qualidade e o poder de fogo das editoras
brasileiras, embora o México apresente níveis
de escolaridade e um pib per capita
ligeiramente superiores aos nossos.

As nossas estatísticas econômicas são
acompanhadas e comentadas por
especialistas e até o recém-lancado Programa
Nacional de Combate à Fome, do governo
mexicano, tem cheiro do bem-sucedido Bolsa
Família, do governo brasileiro.

Para um brazuca em visita ao México, é
confortante ouvir elogios ao seu o país e -
detalhe impensável no passado - ser
assediado por vendedores que se dispõem a
receber pagamento em real. Mas sempre que
me tenho defrontado com essas situacões que
massageiam o ego e turbinam o orgulho
nacional, pergunto-me se saberemos ser
potência sem cair na tentacão avassaladora
da dominacão.

Foi assim que um dia os astecas, guerreiros
que deram origem à Cidade do México e à
nacão mexicana, perderam-se, abrindo
caminho para que os povos indígenas
oprimidos se aliassem aos conquistadores
espanhóis na derrubada de Tenochitlan. E tem
sido assim em nosso tempo, no qual
potências econômico-militares, como os
Estados Unidos, amargam o ódio de boa parte
do mundo, mergulhadas na sombra da
inquietude e do medo permanentes.


ISTO É MÉXICO
Na Praça Garibaldi, os mariachis, um dos ícones da cultura mexicana, cantam canções românticas
O Palácio Belas Artes, teatro e museu, é uma das mais bonitas casas de espetáculo do mundo
Sala das esculturas da civilização tolteca, uma das várias que existiam no México na era pré-hispânica
No centro histórico da capital, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade, edifícios do século 18
Acima, a cidadela de Teotihuacán, construida por volta do ano 100 a. C. por um povo até hoje desconhecido que ali viveu até o ano 750 de nossa era. Os astecas ocuparam a área depois. Ao lado, detalhe do Templo da Serpente Emplumada, que aparece ao fundo na foto maior.

Ainda na sala tolteca do museu, o que restou de uma portentosa escultura do deus do fogo
A área moderna da colônia (bairro) Chapultepec é cortada pela importante avenida Paseo de la Reforma, que atravessa toda a cidade, ornamentada com árvores e obras de arte. Ao lado, JM vive seu momento Ícaro num corredor de esculturas da Paseo de la Reforma em Chapultepec.
ALMA MEXICANA
Flagrantes de Tenochtitlán, a Cidade do México
MISTÉRIO DA PIRÂMIDE
Teotihuacán, construída 100 antes de Cristo
O palácio presidencial fica no Zócalo, centro da cidade desde a antiga Tenochtitlán
DOIS LADOS DA CIDADE DO MÉXICO

LADO A

1. Imenso patrimônio histórico e arqueológico e identidade histórica.

2. Tesouros arqueológicos inclusive no centro da cidade, núcleo administrativo e econômico
desde que os astecas fundaram ali, em 1325, Tenochtitlán, sobre cujas ruínas os
conquistadores espanhóis ergueram a Cidade do México. A arquitetura espanhola dos séculos
17 e 18 é preservada na área central e nas colônias (bairros) que contam a história das etnias e
culturas que se reuniram na então Nueva Espanha.

3. Avenidas largas e simétricas cortando os principais bairros, arquitetura de beleza rara - seja
de linhas contemporâneas, arte decor ou futurista.

4. Verde, muito verde. A cidade é um jardim, com dezenas de parques e bosques, avenidas
arborizadas e, várias delas, ornamentadas com esculturas.

5. Arte, muita arte. Mais de 100 museus (vários com acesso gratuito diariamente e todos com
pelo menos um dia na semana com acesso gratuito). Professores, estudantes e maiores de 60
anos não pagam. Há dezenas de teatro.

6. Oito linhas de metrô interligando todo o núcleo urbano. Linhas de ônibus expressos.
Transporte público barato - a passagem no metrô custa cerca de 60 centavos de real.

7. Povo gentil e prestativo, embora mais recatado e menos sorridente que o brasileiro. Cultura
rica e variada. Informalidade, mas (aparentemente) com maior senso de dever e organização
que os brasileiros. Não é fàcil dar um jeitinho aqui, embora haja muita corrupcao.

8. Cidade alegre e festeira. Gente nas praças, mesmo sob o inverno rigoroso, tocando e
cantando mùsicas românticas até altas horas. Tocadores de orgãos (realejos) envolvendo com
suave harmonia o centro da cidade nos fins de tarde.

9. Custo de vida mais barato, em real, do que os das grandes cidades brasileiras.

10. Elegância em bairros como Polanco e Condessa. Grandes shoppings e galerias, bares e
restaurantes chiques. Nao há assédio de vendedores nem mesmo no centro da cidade.

LADO B

1. Poluição do ar que afeta amplia os sintomas causados pela altitude, como cansaço e
sangramento do nariz pela manhã.

2. Trânsito pesado.

3. Metrô bem sinalizado, mas com superlotação quase todo o tempo na maioria das linhas. È
preciso usar muita forca fisica para entrar e sair dos vagões que mais parecem latas de
sardinhas. A maioria deles sem ar condicionado. Quase não existe escadas rolantes nas
estações (bem conservadas) do metro. As escadarias e os tùneis são intermináveis, devido à
integracao de varias linhas.

4. Sensacionalismo nos jornais. Cadáveres de pessoas assassinadas e mutiladas por gangues
(alguns sem cabeça) são expostos na primeira página.

6. Violência no entorno da Cidade do Mexico. Execuções são tão comuns quanto em São Paulo.
Mas pode-se andar em seguranca, inclusive à noite no centro da cidade

7. Inexistência de banheiros públicos e a postura mesquinha dos comerciantes, que sõ dão
acesso aos seus "baños" a clientes em compra. Em toda a cidade floresceram os banheiros
privados, a maioria sem higiene e às vezes com cabine dupla (duas privadas na mesma
cabine). Preco para usar: entre 4 e 5 pesos (1 real).

25/03/2013
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