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Ano 23                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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TERAPIA E AUTOCONHECIMENTO






Quando as crianças matriculam-se nas escolas, são obrigadas a cursarem Educação Física, onde praticam jogos recreativos e exercícios físicos. No entanto, nenhuma escola oferece uma Educação da Alma, uma disciplina na qual os alunos pudessem se trabalhar emocional e psicologicamente.

A maioria das pessoas têm consciência da necessidade de cuidar do corpo. Sabe que sem a ginástica, com a vida sedentária e a má alimentação, estará arruinando a própria saúde. No entanto, a maior parte das pessoas encara o cuidado com a alma de forma bem diferente. Vê aqueles que se ocupam desse assunto como loucos ou anormais. É como se achassem que a alma não necessitasse de cuidados como o corpo - ou porque ela não é facilmente vista, ou porque não demanda atenção, pois cada um pode se virar com os seus próprios problemas.
           
Essa perspectiva do senso comum sobre a psicoterapia é completamente equivocada, pois ignora que, praticamente, todas as pessoas, salvo alguns pouquíssimos privilegiados, deveriam praticá-la.  Há cerca de 1 500 anos, Sócrates nos advertia da necessidade de cuidar mais da alma do que dos corpos. Esse conselho está mais atual do que nunca. A todo momento somos bombardeados por estímulos perniciosos e nefastos. Basta ligar a TV para sentirmos isso: seqüestros, assassinatos, guerras, miséria, estupros, catástrofes. Essas informações, como um alimento tóxico e deletério, acabam nos deixando ou insensíveis a tudo ou estressados e inseguros. 

A terapia é uma ginástica da alma, e todos nós, em algum nível, temos problemas existenciais e emocionais que não conseguimos resolver sozinhos, precisando de uma ajuda externa especializada.
           
Dedicamos muito pouco tempo ao cultivo da alma e da espiritualidade. O resultado é a depressão e o estresse, sintomas cada vez mais comuns nos dias de hoje. Varrer os problemas para baixo do tapete, fingindo que eles não existem e adotar o “sedentarismo psíquico” é perigoso, pois coloca a vida de quem assim procede  sob a ameaça de crises existenciais sérias, motivadas muitas vezes por  acontecimentos até banais.
           
A terapia não é um procedimento curativo-emergencial; não se deve buscá-la como quem vai a um Pronto-Socorro. Fazer terapia é um investimento em si mesmo, uma conduta preventiva. Da mesma forma que os exercícios físicos para o corpo, a terapia possibilita um fortalecimento da alma e uma mudança nas atitudes e no modo de ver o mundo, melhorando a qualidade de vida e permitindo que a pessoa lide de forma mais criativa e menos neurótica com os problemas do dia a dia.
           
Deve procurar terapia todo aquele que sente não estar vivendo a própria vida como gostaria, seja profissionalmente, seja afetivamente. Viver sem intensidade ou sem emoção, sentir-se vazio ou desorientado são as razões mais comuns, hoje em dia, que levam as pessoas a buscar uma ajuda terapêutica.

(*) José Ramos Coelho é filósofo, doutor em psicologia,
multiartista e escritor
por José Ramos Coelho (*)
26-08-2004
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