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Ano 22                                                                                                          Editado por Jomar Morais
 
 


 
 


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TERAPIA E AUTOCONHECIMENTO






Quando as crianças matriculam-se nas escolas, são obrigadas a cursarem Educação
Física, onde praticam jogos recreativos e exercícios físicos. No entanto, nenhuma escola
oferece uma Educação da Alma, uma disciplina na qual os alunos pudessem se trabalhar
emocional e psicologicamente.

A maioria das pessoas têm consciência da necessidade de cuidar do corpo. Sabe que
sem a ginástica, com a vida sedentária e a má alimentação, estará arruinando a própria
saúde. No entanto, a maior parte das pessoas encara o cuidado com a alma de forma
bem diferente. Vê aqueles que se ocupam desse assunto como loucos ou anormais. É
como se achassem que a alma não necessitasse de cuidados como o corpo - ou porque
ela não é facilmente vista, ou porque não demanda atenção, pois cada um pode se virar
com os seus próprios problemas.
           
Essa perspectiva do senso comum sobre a psicoterapia é completamente equivocada,
pois ignora que, praticamente, todas as pessoas, salvo alguns pouquíssimos
privilegiados, deveriam praticá-la.  Há cerca de 1 500 anos, Sócrates nos advertia da
necessidade de cuidar mais da alma do que dos corpos. Esse conselho está mais atual
do que nunca. A todo momento somos bombardeados por estímulos perniciosos e
nefastos. Basta ligar a TV para sentirmos isso: seqüestros, assassinatos, guerras,
miséria, estupros, catástrofes. Essas informações, como um alimento tóxico e deletério,
acabam nos deixando ou insensíveis a tudo ou estressados e inseguros. 

A terapia é uma ginástica da alma, e todos nós, em algum nível, temos problemas
existenciais e emocionais que não conseguimos resolver sozinhos, precisando de uma
ajuda externa especializada.
           
Dedicamos muito pouco tempo ao cultivo da alma e da espiritualidade. O resultado é a
depressão e o estresse, sintomas cada vez mais comuns nos dias de hoje. Varrer os
problemas para baixo do tapete, fingindo que eles não existem e adotar o “sedentarismo
psíquico” é perigoso, pois coloca a vida de quem assim procede  sob a ameaça de crises
existenciais sérias, motivadas muitas vezes por  acontecimentos até banais.
           
A terapia não é um procedimento curativo-emergencial; não se deve buscá-la como quem
vai a um Pronto-Socorro. Fazer terapia é um investimento em si mesmo, uma conduta
preventiva. Da mesma forma que os exercícios físicos para o corpo, a terapia possibilita
um fortalecimento da alma e uma mudança nas atitudes e no modo de ver o mundo,
melhorando a qualidade de vida e permitindo que a pessoa lide de forma mais criativa e
menos neurótica com os problemas do dia a dia.
           
Deve procurar terapia todo aquele que sente não estar vivendo a própria vida como
gostaria, seja profissionalmente, seja afetivamente. Viver sem intensidade ou sem
emoção, sentir-se vazio ou desorientado são as razões mais comuns, hoje em dia, que
levam as pessoas a buscar uma ajuda terapêutica.
(*) José Ramos Coelho é filósofo, doutor em psicologia,
multiartista e escritor
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por José Ramos Coelho (*)
26-08-2004