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Ano 22                                                                                                          Editado por Jomar Morais
 
 


 
 


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tv sapiens
Praia de Pocitos, uma das mais agradáveis de Montevidéu: no lado direito da Rambla, a avenida de 22 quilômetros que margeia o rio da Prata, edifícios que lembram a carioca Copacabana
Pacata, CHARMOSA e acolhedora
PASSEIO NA RAMBLA
por Jomar Morais
A natureza foi generosa com Montevidéu.
Esculpiu sua orla em recortes magníficos
onde cabem nove belas praias fluviais, que os
uruguaios souberam valorizar ornamentando-
as com a imponente Rambla, uma via costeira
de 22 quilômetros de extensão, de faixas
amplas e calçadão sinalizado. Ela é o meio
de acesso fácil a qualquer bairro e também
ponto de encontro e de comemorações. Em
alguns trechos lembra Copacabana: edifícios
a perder de vista e muitas áreas para práticas
esportivas. Mas não é um mar a vastidão de
águas que abraça a cidade. É apenas o
estuário do rio da Prata, que próximo dali é
ainda reforçado pelo encontro com o rio
Uruguai. Lindo cenário.

A natureza foi dura com Montevidéu. Colocou-
a entre Buenos Aires, uma metrópole de
múltiplos atrativos, e Punta del Leste, um
balneário que há décadas seduz os
endinheirados. A capital do Uruguai ficou
esquecida, principalmente pelos brasileiros,
que assim desperdiçam a oportunidade de
conhecer um pedaço da América hispânica
profundamente ligado à nossa história.
Depois dos anos de glamour, que
consolidaram seu desenho europeu e sua
arquitetura suntuosa, com muita art dècor, a
cidade parou no tempo, sua população
envelheceu nas décadas de 70 e 80. Mas
isso está mudando.

Minha primeira vez em Montevidéu foi em
1976, no auge do período depressivo.
Encontrei uma cidade estagnada onde
circulavam ônibus e automóveis da década
de 30, eternamente restaurados em oficinas
caseiras. Havia desemprego e tristeza no
olhar das pessoas. Como os demais países
do Cone Sul na época, o Uruguai vivia sob
ditadura militar e toda expressão de opinião
e sentimento era contida. Predominava a
nostalgia de uma nação orgulhosa de ter
sediado a primeira Copa do Mundo e vivido
o fausto dos anos 50.

Só retornei agora e me surpreendi.
Montevidéu renasceu. Ao lado da Ciudad
Vieja, restaurada e pronta para ser
desfrutada em toda a sua beleza
arquitetônica, uma cidade nova,
efervescente sem perder a classe das
atitudes recatadas e do senso de
organização, reflete novos conceitos sob
uma atmosfera política e econômica
positiva.

Montevidéu tem hoje um dos aeroportos
mais bonitos do mundo, já dispõe de
shoppings a altura de uma cidade de 1,5
milhão de habitantes, grandes hotéis estão
chegando e a vida noturna se agita... Mas
não é isso o que me encanta.
Prefiro o ritmo da Montevidéu sobrevivente
na Ciudad Vieja e em alguns trechos da
rambla, repleta de estilo e arte, ainda não
invadida por hordas de turistas e ciosa de
seus pequenos museus e galerias. Uma
Montevidéu tranquila onde se pode
perambular sem pressa, só às vezes
provocado pelo jazz, tango uruguaio ou
candombe (a batida afro local) emergente
de algum bar ou casa de show.

A novidade que me atrai? O buquebus, o
ferry boat moderno e confortável que liga
Montevidéu a Buenos Aires em 3h30 de
travessia do imenso Prata. Provei. Uma
delícia. E foi assim que, na manhã de um
domingo ensolarado, pude teclar este texto
à sombra do fantástico bulevar da avenida 9
de Julio, entre o Obelisco e o Teatro Colón,
no centro de Buenos Aires. Mas isso já é
outra história...
[ Publicado na edição de 15/02/2011 do Novo Jornal ]
ONDE FIQUEI EM MONTEVIDÉU
ISTO É MONTEVIDÉU
Mandinga uruguaia: na Av. 18 de Julio,
amantes penduram cadeados na Fonte
dos Candados, para prender o parceiro
JM no Cerro de Montevidéu: um mirante
natural de onde se pode ver a cidade e o encontro do rio Uruguai com o Prata
Na fortaleza do Cerro (acima),
o Museu Militar
exibe registros
das lutas pela
independência
do Uruguai e de seus heróis,
como o general Jose Antonio Lavalleja (no
quadro ao lado)
Acima, na Plaza
Independencia,
a antiga porta
da cidadela, o
mausoléu de
Artigas e o
Palácio Salvo e
seu visual de
bolo de noiva.
Ao lado, uma
escultura lembra
o conflito com a
Argentina.
TÚNEL DO TEMPO
JM na primeira vez em que subiu o Cerro de Montevidéu, em julho de 1976
Rua do centro de Montevidéu em 1976:
tempo de ditadura e de estagnação

Punto Berro,
calle Pedro
Francisco Berro
1320, Playa Pocitos. Bem localizado, o hostel
fica numa área
gastronômica.
Diária: US$30
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Comentários
03/2012
Acácio, 24/07/13 - Estou gostando do que você mostra em Planeta Jota, especialmente sobre a JMJ (Jornal Mundial da Juventude). Os lugares visitados por você são encantadores. Breve irei a Montevidéu, de onde tenho expectativas positivas.

Jomar, 24/07/13 - Obrigado Acácio pelo retorno que nos ajuda a melhorar nossa prestação de serviço aos leitores.