Do Sertão a Honolulu, do Seridó ao Havaí.
Postado em 04 Nov 2018 11 14 Msica

     Há mais de dez anos fui pego inesperadamente – e quão boas são essas surpresas! - pelo filme “50 first dates” (Como se fosse a primeira vez), dirigido em 2004 por Peter Segal.  No final do filme há uma versão poderosa de Somewhere Over the rainbow, bela e inesquecível canção composta por Harold Arlen e de E.Y. Harburg e incluída na trilha sonora do filme o Mágico de Oz (1939). No filme de Segal ela é tocada solo no ukulele e cantada por um cantor até então desconhecido para mim: Israel Kamakawiwo'ole, mais conhecido simplesmente como IZ, havaino nativo, inclusive nascido antes de o Havaí se tornar parte dos Estados Unidos.

    Logo após o filme fui pesquisar sua história e baixei quase todos os seus discos, conhecendo seu trabalho autoral e canções profundas como Hawai’i ‘78, ‘Ulili E e Opae E. Virei admirador daquele artista que cantava sua terra natal com a mesma intensidade e amor com que eu, reservadas as proporções artísticas, busco cantar a minha, o Seridó. Ele desencarnou muito jovem, aos 38 anos em 1997, devido a complicações da obesidade: pesava então mais de 340 quilos.

    Os anos passaram e em 19 de julho de 2018, dia do aniversário de 43 anos do Núcleo Espírita Seara de Luz (Currais Novos/RN), do qual sou trabalhador há 12 anos, recebo pela internet uma mensagem de uma amiga – que prefere não se identificar publicamente – que também é espírita e trabalha há muitos anos com arte espírita, pintura mediúnica:

    — Olha, eu não sei se você conhece, mas recebi uma mensagem de um irmão espiritual. Ele quer uma parceria com você. Falou que você está em sintonia com ele. Ele não vai dar a música pronta pra você poder fazer a sua parte, “parceiro” (risos).
    – Amiga, conheço sim. Adoro esse cantor havaiano.
    — Sim, ele acordou. Vivia nas montanhas e foi resgatado por músicos da luz. A coincidência com você é o amor pela terra e pelo violão. E também ambos lutam por direitos. O Havaí para ele foi tudo, ele lutava pelas pessoas sofridas de lá. Ele cantava sua terra com verdadeiro amor. Ele disse que você é um caminho para que as pessoas vejam a beleza do seu sertão, assim como ele foi o caminho no vilarejo em que viveu. Ele te saúda de igual para igual, confiante na beleza e na natureza de cada lugar. Essa música é um presente dele, assim como as flores que no Havaí são dadas como forma de boas-vindas. Ele diz: Aloha! (deve ser na língua dele, não consegui traduzir, amigo). Iz se despede com um sorriso no rosto. Se sente feliz como quando alguém penteia seus cabelos...

“Estou livre e feliz
posso sonhar
Despertei em novo lar.
Hoje estou tão feliz
que minha alma se vê transparente.
Oh senhor, deixe-me aqui.
Quero ficar...
Pois há tanto a agradecer
como nunca sorrir
Derramam-se tuas bênçãos em mim.”

https://www.youtube.com/watch?v=KNyXaH8JV2I

Wescley Gama






 



 








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