AS LAMPARINAS DO MUNDO
Postado em 15 Aug 2018 12 26 Principal


Eu lembro de uma bela tarde, quando estagiava lecionando a disciplina de filosofia, em uma escola de ensino médio em Imperatriz do Maranhão. Dentre os vários assuntos abordados, veio a questão das religiões e de Deus. Alguns alunos céticos, outros fervorosamente apegados a uma ideia particularista. Então eu perguntei onde poderíamos sentir Deus em nosso meio, como, em que ocasião? Esta pergunta inquietou as jovens mentes da sala, inclusive a minha não tão jovem.

E como encontrar Deus se, com o passar da vida, vem o tempo negro - como dizia Belchior - e faz com a gente o mal que a força sempre faz? A gente desacredita do poder supremo, e a gente se sente abandonado num mundo doente, a esperança definha. Ficamos tristes, queremos ser fortes dentro do jogo dos enfraquecidos...começamos a  acreditar nas ilusões, a fada encantada perde o poder e começa a desaparecer. 

Mas como toda história precisa de um final feliz, Peter Pan lembra da sua essência e a fada reergue-se com toda a sua força. E começamos a sair do exílio plasmado pelas nossas ilusões. É que o amor, nestas terras, se apresenta das mais misteriosas formas. 

E no aniversário dos 70 anos da minha mãe, eu achei uma peça do quebra-cabeça que comecei a procurar lá na escola. Aquela escola pública, na periferia de Imperatriz, onde encontramos as mais variadas faces da carência e da esperança. Eu entendi que há sempre uma fada! Alguém segurando uma singela lamparina em meio a escuridão. Alguém em quem podemos confiar e descansar a cabeça. Há sempre alguém na comunidade que aceitou se apagar mais para iluminar o caminho dos outros. Alguém mais abnegado que a maioria, alguém que sacrificou seus interesses pessoais em prol da criação e orientação de outros, alguém que se esqueceu de si...misteriosamente, não serão estas pessoas as lamparinas do mundo, as lamparinas de Deus?

E você, lembra de alguma pessoa abnegada em sua vida? Lembra de alguém que mesmo diante das grandes ventanias, protegeu a luz na crença, na fé, nos sacrifícios diários? Conta com alguém que chorou na tua dor? Alguém que sorriu feliz com as tuas vitórias?


Quando eu vi minha mãe alegre e sorridente, lembrei da minha infância e de meus seis irmãos. A gente correndo na rua de terra batida, vida de gente simples de quem vem do interior para capital. O pai, assalariado, sempre trabalhador. A vida era difícil, mas a mãe com muito amor em seu coração, nos mostrou o caminho através do seu próprio sacrifício. Pensei: onde estaríamos eu e meus irmãos se não fossem seus permanentes sacrifícios? 

Estas pessoas, acredito eu, são uma prova viva da presença de Deus. Seja na luz do amor de mãe, de pai, de avós, de amigos.

E faço um desafio: se tens uma lamparina de Deus na tua vida, aproveite! Beije-a e abrace-a, simplesmente, sem nada dizer.



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