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Ano 23                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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OUTRO OLHAR
por Jomar Morais
 
HOMOFOBIA
Por que alguns homens e mulheres perdem o equilíbrio diante de um homossexual? Por que reagem com tanta violência? 
Em dois meses, as câmeras da avenida Paulista, o coração de São Paulo, flagraram dois ataques a homossexuais que passavam no local. Seus autores são jovens cuja explosão de violência injustificável tem a mesma motivação: aversão à orientação sexual de suas vítimas. O nome do crime: homofobia. O termo surgiu da união do grego phobos (fobia) com o prefixo homo, como remissão à palavra homossexual. Não é, portanto, o mais aceitável para expressar as cenas de brutalidade exibidas na TV, mas etimologicamente vai à raiz do problema. Fobia é medo instintivo a algo. Neste caso, medo da homossexualidade do outro, a que se reage com agressão física e crueldade.

A homofobia existe há milênios e tem sido reforçada por conceitos religiosos e cânones morais acerca do sexo que resultaram em preconceitos e muita hipocrisia. No passado foi pior. Ainda que cerceados pela intolerância explícita ou velada, os homossexuais vivem hoje no melhor dos mundos se considerada a dura experiência dos que os antecederam, condenados à clandestinidade, à prisão ou à morte. A divulgação de atentados à sua dignidade e a pronta reação institucional aos autores de tais delitos constituem um marco de civilidade e do intento da sociedade de assegurar a igualdade de direitos entre todos os cidadãos.

Apesar dos obstáculos culturais que tornam o reconhecimento pleno dos homossexuais mais difícil que o de minorias étnicas ou raciais, a realidade acena com um futuro em que ninguém será discriminado ou segregado em razão de sua sexualidade. Mas para isso teremos antes de responder à questão a que nos remetem os espasmos homofóbicos do presente. Por que alguns homens e mulheres perdem o equilíbrio diante de um homossexual? Por que reagem com tanta violência?

Uma das explicações acatadas pela psicologia refere-se a um efeito espelho constatado em todos os casos de aversões irracionais. A verdade é que nos sentimos incomodados pelas características do próximo que identificamos com nossas próprias fragilidades e “defeitos” reprimidos a duras penas. E, a menos que tenhamos desenvolvido autoconhecimento e auto-aceitação, a dor dessa experiência pode ter consequencias abomináveis. No caso da homofobia, a suposição preconceituosa de que todo gay é feminino e toda lésbica masculinizada pode catalizar a insegurança de homens e mulheres às voltas com conflitos sexuais ou com a ignorância acerca das qualidades passivas e ativas - o anima e o animus arquetípicos - que sustentam em cada pessoa o equilíbrio das emoções e da vida afetiva.

Alguém assim, habituado a reprimir seus impulsos naturais, pode ver no espelho humano da alteridade uma ameaça real a ser destruída. A solução? Educação. Informação sobre o espectro sexual, mais variado do que imaginávamos nos homens e animais. Releitura dos conceitos religiosos e a prática dos ensinamentos de amor e tolerância de todos os grandes mestres, corrompidos depois pela pequenez dos discípulos. Autoconhecimento e aceitação, mesmo que isso venha a ser um “soltar a franga”.
[Publicado na edição de 14/12/10 do Novo Jornal]
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