Ano 25                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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O século 20 assistiu à reaproximação de setores da ciência e da religião, de pesquisadores e místicos, aliviando a polarização e até as situações de confronto ao longo do século 19, quando finalmente universidades e cientistas puderam atuar livremente, sem temer a censura e as sanções de religiões organizadas. Estudos sobre os efeitos da fé no estado de saúde e sobre os benefícios da meditação sobre o cérebro e todos os sistemas orgânicos levaram cientistas renomados a romper a barreira de preconceitos que impedia o diálogo entre homens de ciência e religiosos.

Esse diálogo, embora tenha resultado em grandes avanços, ainda hoje tem ocorrido de forma assimétrica, com os cientistas expressando mais disponibilidade para conversar do que os líderes religiosos, especialmente os de religiões ocidentais dogmáticas e salvacionistas, onde é maior a resistência ao escrutínio da fenomenologia relacionada à fé e às práticas místicas e a avaliação das chamadas verdades reveladas.

Nesse campo há poucas exceções e uma das mais expressivas é Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, líder do budismo tibetano. Nos últimos 40 anos ele vem mantendo reuniões regulares com cientistas que atuam na fronteira da ciência para o cotejamento dos achados das pesquisas com os ensinamentos milenares afirmados por aquilo que ele, o Dalai, denomina de ciência budista. Tenzin Gyatso e vários monges budistas, inclusive, se permitiram participar de estudos em laboratórios nos quais eles foram submetidos a exames e testes em aparelhos de rastreamento das funções cerebrais de alta precisão.

Uma parte dos frutos gerados por essa parceria incomum foi apresentada no filme The Dalai Lama - scientist, documentário lançado recentemente pela plataforma Vimeo, no qual aspectos pouco conhecidos da vida do Dalai Lama são relatados, como a sua inclinação para a pesquisa científica desde a infância no Tibete. O filme mostra parcialmente diálogos entre Tenzin Gyatso e expoentes da ciência ocidental: os físicos David Bohm, Athur Zeilinger, Carl Weizsacker e Steven Chu; os neurocientistas Francisco Varela, Roberto Livingston, Aaron Beck e Richard Davidson; os neurobiologistas Michael Meaney, Eric Lander e Wendy Hansenkamp; o psicólogo Paul Eckman; o filósofo da ciência Michel Bitbol; e o educador Daniel Goleman. Em alguns desses diálogos houve participação de Alan Wallace, monge e escritor budista, e Mathieu Ricard, monge que, testado em laboratório, apresentou dados inéditos sobre o estado de felicidade gerado pela meditação.

O documentário também exibe tabelas que resumem as conclusões das reuniões do Dalai Lama com os cientistas, apresentando as descobertas dos pesquisadores e a contraparte da ciência budista às conclusões científicas. Abaixo, em tradução livre feita pelo Planeta Jota (passível de algum equívoco ou incompletude), apresentamos os conteúdos das tabelas citadas, as quais informam em que a ciência atual e a espiritualidade oriental, em especial a budista, realmente convergem:   


SOBRE A MATÉRIA, O UNIVERSO E AS EMOÇÕES

1. COSMOLOGIA

O que veio antes do big bang?  Isto foi a criação?
NÃO SABEMOS!

Os cientistas concordam que nenhuma de nossas teorias podem lidar com tais fatos:

a) Todos os objetos materiais contidos em zero volume de espaço (a singularidade inicial).
b) Todos os objetos materiais se movendo com infinita energia.

Feita essa ressalva, é possível constatar as seguintes similaridades entre o que dizem hoje:

Ciência ocidental:
Nosso universo começou com uma grande explosão e, provavelmente, continuará se expandindo até extinguir-se ao se tornar extremamente frio, embora exista a possibilidade de um novo salto ou de recomeços eternos.

Pode haver inúmeros universos, cujos espaço e tempos podem estar conectados em um certo grau.

Budismo:
Nosso universo é uma série infinita de dissoluções e originações de universos.

Nosso universo não é o único que existe. Há incontáveis, nos quais outras formas de consciência e vida se manifestam.


2. FÍSICA QUÂNTICA

Ciência ocidental:
No nível quântico, o observador/experimentador nunca está totalmente separado do objeto, da natureza.

Os elétrons parecem não ter qualquer tamanho; eles atuam como pontos sem massa, mas adquirem massa onde e quando interagem com alguma outra partícula.

A superposição quântica e o emaranhamento estão sendo usados para a construção de computadores quânticos e um método totalmente novo de computação.

Budismo:
As coisas conhecidas não têm identidade independente do modo pelas quais tomamos conhecimento de sua existência.

As coisas não tem nenhuma propriedade inerente. Eles surgem da uma originação dependente.

A ausência de existência inerente das coisas leva à eficiência no processo de interdependência causal.

Em resumo:

Ciência ocidental:
A matéria não é como ela se apresenta aos nossos sentidos.

As partículas parecem desprovidas de existência independentemente de suas relações com outros fenômenos, incluindo a medição.

Budismo:
A matéria não é como ela se apresenta aos nossos sentidos.

A última verdade - as coisas são vazias de existência intrínseca ou inerente.


3. PSICOLOGIA | EMOÇÕES

Ciência ocidental:
Emoções destrutivas são aquelas que provocam danos.

As emoções destrutivas projetam qualidades negativas sobre pessoas ou grupos que, na realidade, não estão presentes nessas pessoas ou grupos.

As emoções podem induzir a um período refratário, durante o qual é difícil aceitar qualquer nova informação sobre uma pessoa, coisa ou situação.

Budismo:
Emoções destrutivas são aquelas que podem causar distúrbios mentais.

Emoções negativas geram avaliações distorcidas de pessoas e coisas.

Emoções negativas levam à reificação (tomar algo abstrato como concreto), através da qual a mente atribui falsas qualidades sobre as coisas. Isto produz distorção numa cognição que inicialmente era válida.


4. NEUROCIÊNCIA

Ciência ocidental:
Devido à sua neuroplasticidade, o cérebro responde à experiência e pode ser continuamente treinado, especialmente nos três grandes períodos do início da vida nos quais o cérebro é radicalmente reorganizado (Nota dosite: primeiros meses de vida, primeira infância e pré-adolescência)

Os novos conhecimentos e desenvolvimentos criaram uma nova era de investigações que nos levará a aprender mais sobre o cérebro do que em toda a história da humanidade.

Budismo:
A mente pode ser continuamente treinada através de práticas meditativas que nos levam ao bem-estar.

Praticantes budistas avançados podem sustentar estados superiores de atenção e consciência e fornecer relatos confiáveis, em primeira pessoa, que contribuem bastante para o avanço das pesquisas sobre o cérebro e a mente.


5. BIOLOGIA MOLECULAR E GENÉTICA

Ciência ocidental:
O genoma tem plasticidade biológica. Abusos e traumas em idade tenra podem ter efeito sobre o nível de expressão do gene e essas consequências podem se manter durante toda a vida da criança.

Fatores ambientais podem afetar a expressão dos genes que regulam nossos pensamentos, emoções e comportamento.

Budismo:
Condicionamentos acumulados em experiências anteriores podem causar sofrimentos para si e para os outros.

O treinamento meditativo em novos hábitos de pensamento podem produzir mudanças na mente e no corpo.


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Afinal, em que a ciência e a
espiritualidade combinam?
Durante 40 anos, Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, manteve reuniões com físicos, neurocientistas, biologistas moleculares, psicólogos e filósofos da ciência para discutirem sobre a matéria e a mente. Agora, o filme The Dalai Lama - scientist revela a grande convergência entre os achados da ciência e as afirmações do budismo e de praticantes espirituais.