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A pandemia, Pasteur e Béchamp:
o que a crise atual nos revela
                                     por JOSÉ RAMOS COELHO

Os filósofos são dados a especulações. Esse é o seu ofício. Assim, enquanto filósofo, permitam-me tecer algumas reflexões sobre as causas primeiras da atual pandemia. Talvez elas sejam vãs. Ou, caso encontre um espírito aberto e suscetível que as acate, talvez enseje uma mudança de visão de mundo, hábitos e comportamentos.

Como pode um bichinho tão minúsculo estar devastando a humanidade de ponta a ponta? Como é possível que um ser tão insignificante colapse as mais poderosas economias, paralise a devastação humana sobre a Natureza, desafie a mais sofisticada tecnologia e ponha em xeque o aparato científico?

Antes de tudo, o que é um vírus?
São seres extremamente pequeninos, cem vezes menores do que uma célula. Nem sequer são considerados seres vivos pela maioria dos biólogos, pois não tem metabolismo, não comem e nem excretam. Só se reproduzem penetrando no corpo de um hospedeiro. Os vírus, os fungos e as bactérias são considerados a causa de todas as doenças que acometem os humanos.

A propósito, no século XIX, ocorreu uma grande polêmica envolvendo dois cientistas: Pasteur e Béchamp. O primeiro, usando o microscópio, descobriu a existência dos germes e sustentou que eles eram a causa de todas as doenças.

Béchamp, por sua vez, discordava dessa teoria. Afirmava que a causa das doenças não residia propriamente na ação dos germes, mas sim no terreno biológico.

A doença ocorre se o organismo estiver desequilibrado. Um germe não prospera num terreno biológico são.

Assim, por exemplo, A., exposto ao Covid-19, pode não apresentar qualquer sintoma, não sentir nenhum malestar, enquanto B. adoecer gravemente e morrer. Se o vírus é o mesmo, porque ambos não foram contagiados? A resposta é que o campo biológico de A. estava sadio e repeliu o germe, enquanto o de B estava frágil e veio a óbito.

Infelizmente, prevaleceu na medicina a visão de Pasteur. Daí só se falar em vacinas e remédios para combater a pandemia - e muito poucos ensinam como fortalecer o sistema imunológico e aumentar a saúde. Embora falha, a perspectiva de Pasteur foi adotada pela medicina, uma vez que sustenta toda a cadeia produtiva das indústrias químicas e farmacêuticas que lucram com o adoecimento das populações.

Por que ocorrem as pestes? Quais as suas causas geradoras?

Em primeiro lugar, as grandes cidades são estruturas gigantescas e anti-naturais, permitindo a aglomeração de enorme contingente de pessoas em pequenos espaços.

O ajuntamento excessivo em áreas reduzidas provoca estresse, conflitos e é o ambiente mais propício para a propagação de uma peste.

A intensidade do contágio é proporcional ao adensamento de pessoas em espaços reduzidos.

Em segundo lugar, ao afastar-se do ambiente rural e do contato com a Natureza, os humanos passaram a fugir do sol, a usar protetores solares, películas anti-raios nos veículos e, assim, tornaram-se carentes de vitamina D, o hormônio mais poderoso e que controla grande parte do sistema imune. Se alguém segue à risca o lema de “ficar em casa” e não toma sol, corre o sério risco de ficar mais vulnerável ao vírus.

Em terceiro, a história da alimentação mostra o quanto nos últimos séculos - e, particularmente, nas últimas décadas - os humanos passaram a ingerir alimentos artificiais, processados, açucarados, refinados, repletos de corantes, acidulantes, conservantes, aditivos de todo o tipo, enfim, uma alimentação antinatural debilitante do organismo, predispondo-o às doenças degenerativas e autoimunes, as quais estão se tornando, ao lado do câncer, uma praga em nossa civilização.

Em quarto lugar, as monoculturas de espécimes vegetais em amplos espaços causam enorme desequilíbrio no ecossistema, daí resultando o surgimento de pragas, as quais exigem o uso de agrotóxicos cada vez mais agressivos e danosos para controlá-las. Esses venenos contaminam os animais, os córregos, os rios e oceanos e chegam à mesa dos consumidores, envenenando-os e poluindo o seu organismo, predispondo-os ao câncer e inúmeras outras doenças.

Nas últimas décadas, com a criação dos alimentos transgênicos, a situação se agravou, pois eles não apenas causam câncer como também acabam alterando e contaminando os vegetais não transgênicos pela polinização.e exigindo maior quantidade de venenos.

Em quinto lugar, o uso indiscriminado e exagerado de antibióticos produziu super bactérias, imunes a qualquer tratamento. Um usuário de corticóides ou antibióticos torna-se vulnerável a qualquer germe que o ataque, pois o antibiótico, além de matar o germe causador de uma determinada doença, destrói a biota intestinal de quem o ingere, deprimindo-lhe o sistema imune e predispondo-o a novas infecções. Ao mesmo tempo, a criação intensiva de milhões de animais, em espaços reduzidos e em condições deploráveis, exige a administração de contínuas doses de antibióticos, os quais, igualmente, tendem a produzir novas bactérias e vírus mais resistentes, os quais podem passar dos animais aos seus criadores.

Por fim, a gigantesca máquina de produção-e-consumo que o capitalismo produziu, após a revolução industrial, está dilapidando os ecossistemas naturais, extinguindo irreversivelmente a biodiversidade, poluindo os mares e os ares, causando o efeito estufa - o qual está ocasionando o degelo das calotas polares, tufões, e uma série de catástrofes naturais, abrindo o caminho para o surgimento de novos vírus que podem ser ainda mais devastadores para a humanidade.

Em suma, voltamos ao problema inicial, ou seja, à teoria do campo biológico de Béchamp.

A questão que se coloca é: não seria o coronavírus um emissário do Cosmos, um mensageiro a nos trazer o precioso ensinamento de que a vida que levamos é insustentável e completamente desequilibrada?

Que os humanos precisam reformular completamente a sua economia, seus conceitos e comportamentos em busca de uma vida mais frugal, minimalista e natural?

O coronavírus talvez seja o coveiro da velha cultura, a peste da peste civilizacional, e o facilitador do advento de uma pós-cultura.


[ Publicado originalmente no perfil do autor no Facebook. José Ramos Coelho é filósofo, terapeuta e multi-artista ]
Foto apenas ilustrativa
"O coronavírus talvez seja o coveiro da velha cultura, a peste da peste civilizacional, o facilitador de uma pós-cultura"