Ano 26                                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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EVENTO SAPIENS
A MORTE DA CULTURA
um diagnóstico do mal-estar da civilização
José Ramos Coelho,
filósofo e multiartista
Dia 22 de julho/2014, às 19h. Entrada gratuita mediante inscrição online


O Sapiens - Grupo de Estudos Filosóficos e Autoconhecimento reuniu seus colaboradores, amigos e demais interessados no evento especial com o filósofo, terapeuta e multiartista José Ramos Coelho, realizado na terça-feira, 22/07/14, em sua sede à Rua Sete de Setembro, 1828, no Candelária. Na ocasião, foi abordado e discutido o tema A Morte da Cultura - Um diagnóstico do mal-estar da civilização, objeto do novo livro do filósofo, cujo lançamento ocorrerá até o final deste ano.

O tema mobiliza a todos os que percebem e se sentem incomodados ou prejudicados pela manipulação de valores e recursos - como crenças e senso ético - no atual contexto de crise planetária marcada pelo materialismo, o consumismo e a dominação de mentes e corações. O evento foi dividido em três partes:

1. Momento de Arte, com o Coral Rouxinol, da ARPI - Associação Riograndense Pró-Idosos, que sob a regência de Fábio Cruz cantou sucessos da Música Popular Brasileira.

2. A palestra de José Ramos Coelho

3. Perguntas e respostas sobre o tema.

No final, foram servidos sucos, água de côco, salgados e doces aos presentes.

A PARTICIPAÇÃO NO EVENTO

A entrada, como sempre acontece no Sapiens, foi gratuita, mas, devido ao número limitado de assentos, só tiveram acesso as pessoas que solicitaram inscrição através do email sapiens@supercabo.com.br

Cada inscrito recebeu, também via email, uma senha que liberou o seu acesso.

AS QUATRO DOENÇAS

A seguir, o filosófo José Ramos Coelho resume alguns dos itens que foram desenvolvidos no evento no Sapiens:

"Após termos investigado a morte da subjetividade dentro de uma perspectiva clínica em “Tragicomédia da Medicalização: a Psiquiatria e morte do sujeito”, damo-nos conta de que o processo de medicalização da vida corrói não apenas a autonomia e o vigor dos indivíduos, como igualmente está ocasionando o colapso da Medicina Cultural - os recursos simbólicos que dão coesão e sustentabilidade à vida social. O avanço da medicalização da vida é um indicativo inequívoco deste enfraquecimento cultural.

Os referenciais simbólicos - crenças, valores, hábitos - que tradicionalmente davam orientação e norteavam a vida das pessoas estão sendo manietados e colonizados pelo capital e pelos bens de consumo. A percepção da beleza, o encantamento com as coisas simples do dia a dia, a alegria, o sorriso leve e gratuito, o colorido multifacetado e matizado das relações qualitativas entre os homens, e destes com as coisas, estão sendo apagados e suprimidos pela adoção de uma perspectiva quantitativa e instrumental.

O colonialismo monetário - o domínio imperial do capital em todos os sistemas de governo, sejam privatizantes ou socializantes - ao tempo em que aumenta a racionalidade e a eficácia do sistema, esvazia a existência humana do cultivo autêntico e sincero dos seus mais elevados valores e ideais. A abundância e facilidade no acesso a bens de consumo, as comodidades da vida urbana não estão conseguindo transmitir uma sensação de bem estar, segurança e felicidade ao habitante das cidades.

Tentamos investigar os fundamentos dessa crise planetária.

Trata-se aqui de abordar o mal-estar da contemporaneidade. Ele pode ser enfocado a partir de muitos ângulos. Optamos pela análise das tetranósos (as quatro “doenças”) da nossa civilização, a saber: a) a fratura entre as palavras e as coisas; b) a fratura entre a mercadoria e o dinheiro; c) a fratura entre a ecologia e a economia; d) e, finalmente, a fratura entre o homem e o sagrado. Essas quadro enfermidades estão minando a eficácia da cultura e o seu poder de dar suporte e segurança aos indivíduos.

A razão principal da crise contemporânea decorre de uma defasagem entre um excesso de ciência e de eficácia técnica e um déficit de ética e de valores. A maior conquista da história, que fará com que a humanidade alcance no plano da ética o mesmo nível de avanço alcançado pela ciência e pela tecnologia, consistirá no reconhecimento das implicações nefastas das tetranósos - as quatro “doenças” capitais de nossa civilização - e a adoção de uma terapêutica capaz de saná-las."

QUEM É JOSÉ RAMOS COELHO

É filósofo, doutor em psicologia, terapeuta e multiartista. Autor dos livros A Colina e o Abismo, A Magia na Aldeia Global, De Narciso a Édipo: a Criação do Artista, A Terapia da Excelência: Uma Introdução ao Método da Estética Existencial e A Tragicomédia da Medicalização: a Psiquiatria e a Morte do Sujeito, este último publicado pela Sapiens Editora.





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Momentos do evento no Sapiens: o auditório na foto vertical, o filósofo José Ramos Coelho falando sobre "as quatro fraturas", acima, e o Coral Rouxinol sob a regência de Fábio Cruz
[ Mais imagens do Coral no final desta página ]
O Coral Rouxinol, da Associação Riograndense Pró-Idosos, em imagens clicadas por Vilma Cruz