Ano 26                                                                                                                              Editado por Jomar Morais
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por Jomar Morais
 
ASSIM É, SE LHE PARECE
Como a informática pode nos ajudar a entender o paradoxo
do livre-arbítrio e do determinismo na atuação da consciência 
Ontem vi na TV um padre dizer que não acredita em predestinação, ao ser indagado sobre sua vocação precoce. Para ele, o que conta é a influência do meio e, sobretudo, o livre arbítrio. Ou seja, a possibilidade de o homem exercer sua vontade e fazer escolhas, fazer acontecer. Nada mais.

Imagino que a maioria das pessoas, em nossa civilização judaico-cristã, pensa como o padre, que, aliás, não fugiu da Bíblia ao expressar sua opinião. A questão é que a Bíblia e todos os livros sagrados também se referem à onisciência divina. Ou seja, à consciência universal além da ilusão do tempo e do espaço, se preferirmos a linguagem dos físicos que hoje se ocupam com espiritualidade. Jesus, só para citar um exemplo, chegou a afirmar que não cai uma folha seca ou um fio de cabelo sem permissão (conhecimento prévio) de Deus, seja este a divindade pessoal da maioria dos cristãos, a totalidade do filósofo Spinoza ou a consciência única dos orientais e de alguns místicos da tradição cristã.

E agora, José? Livre arbítrio e determinismo formam uma dicotomia e um paradoxo. Isto é, estão juntos e relacionados, apesar da aparente contradição. É possível entendê-los, mas isso será mais fácil se, primeiro, considerarmos que o mundo (e o tempo e o espaço nos quais ele existe) é uma miragem (ou realidade virtual) e que todas as coisas que aconteceram, estão acontecendo ou acontecerão estão ocorrendo justamente agora. Isso não significa que não exista livre escolha e que toda a nossa vida esteja rigidamente ordenada. Mas...

Uma analogia divulgada pelo escritor Neale Walsch ajuda-nos a desatar esse nó. Imagine aquele jogo de xadrez em seu computador. O programador ordenou em códigos todas as possibilidades de movimento das peças e suas variações. Elas estão lá, ocultas, e você, depois de rachar a cabeça calculando, pode decidir “livremente” por esse ou aquele movimento. É você usando seu livre arbítrio, com uma pequena diferença em relação ao seu oponente, o computador: enquanto você leva longos minutos para armar uma jogada, a máquina faz isso numa fração de segundo, pois para ela todas as possibilidades são conhecidas, o game inteiro já foi jogado.

Suas escolhas podem conduzí-lo à esperada frase “Parabéns, você venceu”. Ou àquela indigesta “Sorry, you lose”. Mas tem nada não. Depois disso, o computador sempre perguntará se você topa outra partida.

Quando sentei para escrever este artigo, eu tinha três temas na cabeça. Com o “meu livre arbítrio”, escolhi este. Você gostou? Ganhou? Perdeu? Independentemente de sua resposta, espero que aceite o convite para o nosso jogo da próxima terça.
[Publicado na edição de 21/06/10 do Novo Jornal]
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